EU TAMBÉM QUERO PARTICIPAR!”: FEMINIZAÇÃO DA PEDAGOGIA E QUESTÕES DE MASCULINIDADES NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Palabras clave:
Educação Infantil, Feminização da pedagogia, Masculinidades, Gênero, DocênciaResumen
O trabalho tem como objetivo discutir a feminização da Pedagogia e analisar as questões relacionadas às masculinidades no contexto da Educação Infantil, buscando compreender como construções sociais de gênero influenciam a inserção e a permanência de homens nesse espaço educativo. Trata-se de estudo de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica e de pesquisa de campo com observação participante e construção de diário de campo, realizada no âmbito do PIBID (subprojeto de Pedagogia) da UESB, campus de Jequié, em uma turma de Grupo 04 de uma instituição de Educação Infantil ao longo de 2025, ancorando-se teoricamente nas contribuições de Monteiro e Altmann (2014) e Castro (2014) sobre feminização da docência e divisão sexual do trabalho.
Os resultados evidenciam que a feminização da Educação Infantil não se manifesta apenas na predominância numérica de mulheres na área, mas em expectativas sociais que naturalizam esse espaço como feminino, gerando estranhamento, suspeitas e mecanismos de vigilância simbólica diante da presença masculina, sobretudo em relação a demonstrações de afeto e cuidado corporal com as crianças. Os registros do diário de campo revelam que o educador pesquisado internalizou sentimentos de desconforto e inferioridade ao ocupar um espaço socialmente concebido como feminino, bem como preocupação constante com possíveis interpretações equivocadas de gestos afetivos espontâneos das crianças. Conclui-se que, embora a presença masculina na Educação Infantil ainda seja atravessada por estranhamentos e processos de vigilância, ela também representa uma importante possibilidade de ruptura com modelos tradicionais de masculinidade, sendo fundamental discutir masculinidades e relações de gênero para a construção de espaços educativos mais inclusivos, nos quais o cuidado e a docência sejam compreendidos como práticas humanas e não como atribuições exclusivas de um único gênero.
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Citas
MONTEIRO, Mariana; ALTMANN, Helena. Homens na educação infantil: olhares de suspeita e tentativas de segregação. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 44, n. 153, p. 720-741, jul./set. 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/198053142824. Acesso em: 22 maio 2026.
CASTRO, Fernanda Francielle de. O giz cor-de-rosa e as questões de gênero: os desafios de professores frente à feminização do magistério. 2014. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2014.
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