ENSINO BILINGUE EM MOÇAMBIQUE: POSSIBILIDADES E LIMITES NA DESCONSTRUÇÃO DA HEGEMONIA LINGUÍSTICA DO PORTUGUÊS

Autores/as

Palabras clave:

Línguas bantu, Língua portuguesa , Ensino bilíngue , Hegemonia, Memória

Resumen

O trabalho tem como objetivo analisar, a partir das percepções de professoras atuantes em escolas do ensino bilíngue em Moçambique, até que ponto a introdução das línguas locais no Sistema Nacional de Educação contribui para a desconstrução da hegemonia do português como língua de prestígio social, contextualizando o tema na ideologia colonial de "civilização" do indígena e nos movimentos contra-hegemônicos que possibilitaram a implementação do ensino bilíngue em 2003. Metodologicamente, privilegia-se a história oral (Bosi, 2003) e a noção de hegemonia de Williams (1979), a partir de depoimentos de cinco professoras da Escola Primária Completa de Xikwaxane, região sul do país, sendo duas do ensino monolíngue (7ª classe) e três do ensino bilíngue (3ª e 4ª classes).

Os resultados evidenciam percepções distintas entre as depoentes: enquanto uma professora do ensino bilíngue destaca a vantagem da língua materna para a compreensão imediata dos conteúdos, ainda que aponte dificuldades na escrita, uma professora do ensino monolíngue defende o português como língua de ensino e o xichangana apenas como disciplina, discurso atravessado pela ideologia colonial e por memórias assimilacionistas que preservam a hierarquia linguística. Conclui-se que o ensino bilíngue constitui prática descolonizadora que favorece a convivência entre o português e as línguas bantu, mas ainda carece de políticas consistentes para mobilizar os atores educativos a superar percepções negativas vinculadas à ideologia colonial, uma vez que o português continua sendo visto como língua de progresso e modernidade.

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Biografía del autor/a

Domingos Filipe Machalele, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui mestrado em Bilinguismo e Educação Bilingue pela Universidade Eduardo Mondlane(2020). Atualmente é doutorando em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, Brasil.

Citas

BOSI, Ecléa. O Tempo Vivo da Memória: Ensaios da Psicologia Social. São Paulo, Ateliê Editorial, 2003.

CHIMBUTANE, Feliciano. Língua e Educação em Moçambique: Uma perspective sócio- histórica. In: GONÇALVES, Perpétua; CHIMBUTANE, Feliciano. (orgs.). Multilinguismo e Multiculturalismo em Moçambique. Maputo: Alcance editores. 2015. p. 35-75.

PORTUGAL. Estatuto dos Indígenas Portugueses das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique. Decreto-Lei n. 39.666, de 20 de maio de 1954. Lisboa: Imprensa Nacional, 1954.

MOÇAMBIQUE. (1990) Constituição da República de Moçambique, Maputo. Boletim da República: no. 44, 2 de Novembro. Imprensa Nacional. 1990.

WILLIAMS, R. Marxismo e Literatura. Rio de Janeiro: Zahar editor, 1979.

VATICANO (Cidade). Acordo Missionário entre a Santa Sé e a República de Portuguesa. art. 16 do acordo missionário de 7 de Maio de 1940. Disponível em https://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/archivio/documents/rc_seg-st_19400507_missioni-santa-sede-portogallo_po.html. Acesso em: 09.09.2024.

Publicado

2026-11-04