A GUERRA DO PARAGUAI NOS LIVROS DIDÁTICOS: UMA ANÁLISE DA TRANSPOSIÇÃO DAS CORRENTES HISTORIGRÁFICAS SOBRE O CONFLITO

Autores/as

Palabras clave:

Guerra do Paraguai, Livros Didáticos, Ensino de História, Memória, Ditadura Militar

Resumen

Este resumo apresenta uma investigação acerca da transposição das correntes historiográficas sobre a Guerra do Paraguai em livros didáticos de História adotados na cidade de Vitória da Conquista (BA), no período de 1964 a 1985. Inserido em uma pesquisa de mestrado em andamento, o estudo objetiva compreender como os processos de construção, disputa e esquecimento moldaram a memória do conflito no ambiente escolar. A metodologia de natureza qualitativa e documental debruça-se sobre duas obras publicadas em 1968, de autoria de Antonio José Borges Hermida e A. Souto Maior, valendo-se da Análise de Discurso na perspectiva de Eni Orlandi, aliada à análise iconológica do material visual didático. Os resultados parciais apontam a predominância da corrente historiográfica tradicional e patriótica, caracterizada pela exaltação militar de "heróis nacionais", como o Duque de Caxias, e pela culpabilização exclusiva do líder paraguaio Solano López, retratado unilateralmente como um ditador sanguinário. Conclui-se que o discurso didático no recorte temporal analisado não assumiu uma postura neutra, mas funcionou ativamente para consolidar uma memória coletiva heroica. Para sustentar essa narrativa de base nacionalista, utilizou-se a estratégia pedagógica deliberada do apagamento de elementos históricos cruciais, a exemplo das precárias condições sanitárias, da participação de escravizados nas tropas brasileiras e das complexas motivações geopolíticas da região platina que culminaram na guerra.

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Biografía del autor/a

Rosana Alcântara Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista/BA. Graduada em Licenciatura em História pela UESB. Membro do Grupo de Pesquisa História e Memória do Sudoeste da Angola. Atuou como estagiária no Museu Regional Casa Henriqueta Prates (MRVC) pelo Programa Mais Futuro (2023-2024). Atuou como estagiária no Centro de Documentação Albertina Vasconcelos (Cedoc) pelo Programa Mais Futuro (2024-2025). Atuou como bolsista nos projetos de extensão Leituras de História do Brasil colonial: Arquivos, Acervos e Fontes (2022-2023); Antigo Regime em debate: Ensino de História, fontes documentais e historiografia (2024), ambos vinculados ao Laboratório de Estudos, Documentação Inquisitorial e Sociedade de Antigo Regime (Ledisar) e no Projeto de Pesquisa Seminário Interativo: Museu Pedagógico e o Instituto Búzios discute a Luta Antirracista e os desafios atuais, vinculado ao Museu Pedagógico da UESB.

Oliveira Adão Miguel, Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla

Oliveira Adão Miguel é Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Brasil. É Mestre em Ensino da História da África (2020) e Licenciado em Ensino da História pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla). Professor Assistente do ISCED-Huíla e Professor Convidado do Programa de Pós-Graduação em Educação(PPGED) da UESB.Sua produção científica concentra-se nos estudos sobre memória, identidade, cultura, educação e processos históricos angolanos e africanos, com especial interesse pelas relações entre história, memória social e dinâmicas socioculturais em Angola e no continente africano.

Citas

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Publicado

2026-11-04