UMA ANÁLISE SOBRE OS TERREIROS FECHADOS POR VIOLÊNCIA EM CAMPOS DOS GOYTACAZES ENTRE 2015 E 2025

Autores/as

Palabras clave:

Racismo religioso, Violência religiosa, Grupos armados, Ataque a terreiros, Religiões afrobrasileiras

Resumen

A pesquisa, recorte de dissertação de Mestrado em Sociologia Política, investiga de que forma os ataques e fechamentos de terreiros em Campos dos Goytacazes (RJ), ocorridos entre 2015 e 2025, podem ou não revelar dinâmicas de imitação e inovação na produção e nomeação social da violência religiosa contra as religiões afro-brasileiras. Mobilizando o conceito de repetição e imitação de Gabriel Tarde (2011), articulado à noção de acumulação social da violência de Michel Misse (1999), a pesquisa organiza-se em três procedimentos: análise de conteúdo (Bardin, 2011) de notícias midiatizadas sobre violência religiosa no município, levantadas por palavras-chave e comparadas a dados do grupo Ginga-UFF sobre conflitos étnico-raciais-religiosos no Rio de Janeiro; observação etnográfica, desde 2023, do Fórum Municipal de Religiões Afrobrasileiras (FRAB); e entrevistas narrativas com cinco pessoas de terreiros atacados ou fechados na cidade.

Os resultados evidenciam que a violência contra os terreiros campistas não pode ser compreendida apenas pelo número de casas fechadas, produzindo efeitos que atravessam outras lideranças e práticas religiosas do município; observa-se que elementos como a presença de grupos armados e a interdição de práticas religiosas aproximam Campos dos Goytacazes de outros contextos fluminenses, mas assumem variações locais específicas, não configurando simples reprodução de padrões externos. Constata-se ainda que a associação entre violência contra terreiros, narcotráfico e religiosidade evangélica, recorrente na literatura e na mídia, nem sempre corresponde à forma como as próprias lideranças religiosas narram os episódios, que tendem a descrevê-los a partir de dinâmicas territoriais específicas. Conclui-se, parcialmente, que o caso campista revela tanto continuidades em relação às violências registradas na capital e na Baixada Fluminense quanto variações situadas, e que as categorias de intolerância religiosa e racismo religioso expressam disputas sociais, políticas e analíticas em torno do reconhecimento dessas violências, evidenciando que o povo de terreiro não apenas sofre seus efeitos, mas também produz interpretações e formas de resistência.

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Biografía del autor/a

Paulo Henrique Prado da Silva, Universidade Federal do Norte Fluminense

Bacharel em Formação De Psicólogo pela Universidade Federal Fluminense- Campos dos Goytacazes, tendo na trajetória acadêmica proximidade com as áreas da Psicologia Organizacional, Psicoterapia Cognitivo Comportamental, Terapia de Aceitação e Compromisso, Psicossociologia, Psicologia Social Comunitária e Psicologia Jurídica. Especialista em Psicologia e Educação. Licenciado em Ciências Sociais. Mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense, trabalhando com as temáticas: Umbandas, violência religiosa, racismo, colonização, branquitude, racismo religioso, espaços públicos. Doutorando em Sociologia Política na UENF, tendo como foco as religiões afro brasileiras e indígenas. Tem proximidade com a temática decolonial, sulista e kuir. Também é Integrante do Núcleo de Estudos Afro Brasileiro e Indígena - NEABI UENF e bolsista FAPERJ na modalidade Doutorado Nota 10.

Wania Amélia Belchior Mesquita , Universidade Estadual do Norte Fluminense

Professora e integrante da Comissão Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro- UENF. Graduada (bacharelado e licenciatura) em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (1995-1996), mestrado em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro/SBI (1998) e doutorado em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro/SBI (2003), bolsa FAPERJ Nota 10. Pós-doutorado/ Estágio Sênior da CAPES no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (2015), Pós-doutorado na Utrecht University (2025) e Pesquisadora Visitante na University of Cape Town (2025). Jovem Cientista do Nosso Estado FAPERJ (2012-2015). Integrante do comitê acadêmico do Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino do Estado do Rio de Janeiro (FRIPERJ). Membro da UENF no Inclusion Hub da Rede BRIDGES Building Research and Innovation towards Development and Global Exchange for Sustainability no Programa CAPES Global.Edu. É Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas Urbanas e Regionais - GEPUR, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, Integrante do PROGRAMA INCT Observatório das Metrópoles (2015-2020) e membro da rede de pesquisadores ETNO.URB organizada em torno da Etnografia Urbana, sediada em Portugal e membro da REVIC - Rede Latino-americana de Estudos sobre Religião, Violência e Cidade.. Sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Sociologia - SBS, da International Sociological Association - ISA e da Associação de Cientistas Sociais da Religião do Mercosul. Co-coordenadora do Comitê de Pesquisa de Sociologia da Religião da Sociedade Brasileira de Sociologia. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Religião e Sociologia Urbana, atuando principalmente nos seguintes temas: religião, periferias e desigualdade social.

Citas

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Publicado

2026-11-04