QUANDO UM NOME NÃO TEM GRAÇA: APELIDOS OFENSIVOS E TEMPORALIDADE EM RELATOS DE ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Palabras clave:
Temporalidade, Apelidos ofensivos, EstudantesResumen
A pesquisa analisa os memoráveis recortados por apelidos ofensivos direcionados a estudantes da Educação Básica, a partir de relatos produzidos por alunos e alunas do 9º ano de uma escola pública de Porto Seguro-BA, durante aulas de Língua Portuguesa. Fundamentada na Semântica Enunciativa do Acontecimento, conforme Guimarães, compreende-se que os sentidos se constituem historicamente no acontecimento da enunciação, mobilizando memoráveis que se articulam ao presente e projetam novas possibilidades de interpretação. A análise evidencia que os apelidos podem produzir sentidos de desvalorização, estigmatização, discriminação e exclusão, especialmente quando associados a marcadores de raça, deficiência e condições de saúde. Entre os relatos analisados, destacam-se os apelidos “Lol preta”, “lazarento” e “autista”, cujos sentidos são relacionados, respectivamente, a memoráveis de racismo, repulsa e capacitismo, revelando processos de inferiorização e hierarquização dos sujeitos. Observa-se, ainda, que a justificativa da “brincadeira” pode funcionar como mecanismo de silenciamento e naturalização de práticas discriminatórias, dificultando o reconhecimento de seus efeitos. Os resultados apontam que os sentidos dos apelidos não são fixos, mas constituídos e disputados no acontecimento enunciativo, podendo produzir tanto identificações não ofensivas quanto formas de violência simbólica que causam constrangimento, sofrimento e exclusão. Nesse sentido, a análise evidencia a relação entre linguagem, memória, relações de poder e estruturas sociais mais amplas, ressaltando a importância de compreender os processos históricos de significação que sustentam práticas de racialização, capacitismo e outras formas de desigualdade no espaço escolar.
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Citas
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