QUANDO UM NOME NÃO TEM GRAÇA: APELIDOS OFENSIVOS E TEMPORALIDADE EM RELATOS DE ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Autores/as

Palabras clave:

Temporalidade, Apelidos ofensivos, Estudantes

Resumen

A pesquisa analisa os memoráveis recortados por apelidos ofensivos direcionados a estudantes da Educação Básica, a partir de relatos produzidos por alunos e alunas do 9º ano de uma escola pública de Porto Seguro-BA, durante aulas de Língua Portuguesa. Fundamentada na Semântica Enunciativa do Acontecimento, conforme Guimarães, compreende-se que os sentidos se constituem historicamente no acontecimento da enunciação, mobilizando memoráveis que se articulam ao presente e projetam novas possibilidades de interpretação. A análise evidencia que os apelidos podem produzir sentidos de desvalorização, estigmatização, discriminação e exclusão, especialmente quando associados a marcadores de raça, deficiência e condições de saúde. Entre os relatos analisados, destacam-se os apelidos “Lol preta”, “lazarento” e “autista”, cujos sentidos são relacionados, respectivamente, a memoráveis de racismo, repulsa e capacitismo, revelando processos de inferiorização e hierarquização dos sujeitos. Observa-se, ainda, que a justificativa da “brincadeira” pode funcionar como mecanismo de silenciamento e naturalização de práticas discriminatórias, dificultando o reconhecimento de seus efeitos. Os resultados apontam que os sentidos dos apelidos não são fixos, mas constituídos e disputados no acontecimento enunciativo, podendo produzir tanto identificações não ofensivas quanto formas de violência simbólica que causam constrangimento, sofrimento e exclusão. Nesse sentido, a análise evidencia a relação entre linguagem, memória, relações de poder e estruturas sociais mais amplas, ressaltando a importância de compreender os processos históricos de significação que sustentam práticas de racialização, capacitismo e outras formas de desigualdade no espaço escolar.

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Biografía del autor/a

Florisbete de Jesus Silva, Secretaria Municipal de Educação

Florisbete de Jesus Silva é Doutora em Linguística, pela Universidade Estadual de Campinas, Mestra em Linguística, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Mestra em Ciências da Educação, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Lisboa - Portugal. Especialista em Letras - Português/Literatura, pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá e graduada em Letras, pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Formadora nas áreas de Língua Portuguesa. Professora de Língua Portuguesa, no Município de Porto Seguro-Bahia. Tem experiência na Educação, atuando principalmente nas seguintes áreas: alfabetização, leitura, interpretação e produção de textos; estudos de gênero, análise de material didático. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Linguagem, Enunciação, Discurso (LED) da Unicamp, do Grupo de Pesquisa em Estudos Semânticos (Gepes) da Uesb e do Grupo de Pesquisa CONEXÕES: Produção de Conhecimento e Ensino (UNEB/CNPq)

Marcelle Bittencourt Xavier, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui graduação em Administração pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (2006), graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2014) e mestrado em LETRAS: CULTURA, EDUCAÇÃO E LINGUAGENS pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2018). Doutora em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Citas

ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. 154 p.

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GUIMARÃES, Eduardo. Semântica, enunciação e sentido. Campinas, SP: Pontes Editores, 2018.

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SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Principium, 2015.

Publicado

2026-11-04