O REISADO CIGANO DE SENHORA SANT’ANA COMO PRÁTICA TRADICIONAL QUE RESISTE À (DES)ORDEM GLOBAL

Autores/as

Palabras clave:

Reisado femino, Reisado Cigano, Memória coletiva, Resistência cultural

Resumen

O presente trabalho analisa o Reisado Cigano de Senhora Sant’Ana, manifestação cultural realizada na cidade de Piripá, interior da Bahia, entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro. Diferentemente de outros reisados da região, a prática é protagonizada por mulheres, que se reconhecem e se autointitulam “ciganas”, incorporando elementos estéticos associados ao imaginário cigano em um contexto religioso católico dedicado ao Menino Jesus e à Senhora Sant’Ana. A pesquisa objetiva compreender essa manifestação como espaço de resistência cultural, preservação da memória coletiva e construção identitária diante dos processos contemporâneos de homogeneização cultural. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada nos estudos de Stuart Hall, Anthony Giddens, Maurice Halbwachs e Michael Pollak. Os resultados indicam que o reisado se configura como uma prática dinâmica, capaz de preservar elementos tradicionais ao mesmo tempo em que incorpora ressignificações decorrentes das transformações sociais. A memória coletiva compartilhada pelas reiseiras desempenha papel fundamental na continuidade da manifestação, garantindo a transmissão de saberes, narrativas e símbolos entre gerações. Além disso, as indumentárias e a identidade cigana assumida pelas participantes evidenciam processos de hibridismo cultural e a permanência de referências simbólicas ligadas a grupos historicamente marginalizados. Conclui-se que o Reisado Cigano de Senhora Sant’Ana constitui importante espaço de resistência cultural e de preservação da memória, revelando a complexa relação entre tradição, identidade e pertencimento no contexto sociocultural do interior baiano.

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Biografía del autor/a

Enira Roberth Maia de Castro Lima, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduada em Letras Modernas (Português/Inglês) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Mestre em Letras no Programa de Pós-graduação em Letras, Cultura, Educação e Linguagens (PPGCEL) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Doutoranda em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Marcello Moreira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Possui graduação em Letras Vernáculas e Orientais pela Universidade de São Paulo (1988), mestrado em Filologia e Língua Portuguesa (1994) e doutorado em Literatura Brasileira pela mesma Universidade (2000). Atualmente é professor pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Desenvolve pesquisa sobre teorias da edição, com ênfase na história e crítica de métodos editoriais dos séculos XIX e XX, como os de Karl Lachmann e de Joseph Bédier. Há anos pesquisa a cultura da manuscritura no mundo luso-brasileiro com o fim de descrever práticas e agentes da cultura escribal, assim como o funcionamento de artefatos bibliográficos-textuais, como cancioneiros poéticos e livros de mão de vária natureza. Ganhou com seu livro Critica Textualis in Caelum Revocata? Uma Proposta de Edição e Estudo da Tradição de Gregório de Matos e Guerra (Edusp, 2011) o Prêmio Jabuti na categoria ''crítica literária'', e também o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críicos de Arte (2015) pela edição e estudo da poesia atribuída a Gregório de Matos e Guerra, em co-autoria com João Adolfo Hansen. Tais edição e estudo foram indicados ao Prêmio Jabuti de 2015.

Citas

GIDDENS, Anthony. As Consequências da Modernidade. São Paulo: Editora UNESP, 1991 (Original de 1990).

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Laurent Léon Schaffter. São Paulo: Vértice: Editora Revista dos Tribunais, 1990.

HALBWACHS, Maurice. Os quadros sociais da memória. Tradução de Antonio Fontoura. Curitiba: antoniofontoura, 2023.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: Dp&A, 1999.

POLLAK, Michael. “Memória, Esquecimento, Silêncio”. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989

Publicado

2026-11-04