A MEMÓRIA, LÍNGUA BANTU EM MOÇAMBIQUE E DISCURSO COLONIZADOR: ENTRE O SILENCIAMENTO E OS GESTOS DE RESISTÊNCIA NA MÍDIA DIGITAL
Palabras clave:
Memória dicursiva, Discurso colonizador, Línguas bantu e silenciamento, ResistênciaResumen
O trabalho analisa o silenciamento discursivo das línguas bantu no Sistema Nacional de Ensino de Moçambique, considerando as relações entre memória, ideologia e resistência no debate contemporâneo sobre o ensino bilíngue. Fundamentado nos pressupostos da Análise Materialista do Discurso de filiação pecheuxtiana e em contribuições dos estudos sobre discurso digital, o estudo adota abordagem qualitativa e tem como corpus duas sequências discursivas: excertos do pronunciamento de um ex-deputado contrário ao ensino bilíngue e um comentário digital de repúdio ao referido posicionamento. A análise evidencia que o discurso do ex-deputado se filia a uma formação discursiva colonialista, atualizando memórias históricas de silenciamento das línguas bantu e associando seu uso a sujeitos pobres, sem escolaridade e socialmente inferiorizados. Em contraposição, o comentário digital materializa uma posição-sujeito de indignação e resistência, recuperando experiências de humilhação e punição de falantes das línguas bantu e defendendo o ensino bilíngue como instrumento de valorização da memória linguística e da identidade do povo moçambicano. Os resultados indicam que o espaço digital constitui lugar de disputa ideológica, no qual sentidos historicamente silenciados podem ser retomados, confrontados e ressignificados. Conclui-se que o debate sobre o ensino bilíngue ultrapassa a dimensão educacional, envolvendo processos de preservação da memória, identidade linguística e resistência aos efeitos persistentes do discurso colonial no contexto moçambicano.
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Citas
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