AS MUITAS MARIAS DE KENNYA SILVA: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA MULHER, GÊNERO, TRABALHO, TERRITÓRIO E RESISTÊNCIA NA POESIA CONTEMPORÂNEA

Autores/as

Palabras clave:

Representações sociais, Gênero, Territorialidade, Literatura feminina, Mulher rural

Resumen

Este estudo analisa as representações sociais da mulher presentes nos poemas Uma Maria Quarquê e [Maria], de Kennya Silva, a partir da Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1978), articulada aos estudos de gênero (Scott, 1995), à noção de violência simbólica (Bourdieu, 2002) e às discussões sobre territorialidade (Raffestin, 1993; Haesbaert, 2014). A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter bibliográfico e interpretativo, tem como objetivo compreender como a figura da “Maria” é construída poeticamente enquanto representação coletiva de mulheres rurais. Os resultados indicam que a personagem ultrapassa a individualidade e assume dimensão simbólica, condensando experiências relacionadas ao trabalho, ao cuidado, à maternidade e à resistência. Observa-se que o cotidiano feminino é representado por meio de atividades historicamente naturalizadas, evidenciando formas de violência simbólica associadas à sobrecarga física e afetiva. Ao mesmo tempo, os poemas ressignificam o espaço rural como território de pertencimento e identidade, tensionando representações hegemônicas do campo. Destaca-se ainda o uso da oralidade como estratégia estética e política de valorização da identidade das mulheres do campo, bem como a presença de movimentos de afirmação da autonomia feminina. Conclui-se que a poesia de Kennya Silva constitui um espaço de produção de sentidos sobre o feminino, contribuindo para a valorização das experiências das mulheres rurais e para a problematização das relações de gênero.

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Biografía del autor/a

Marilza Pires Correia Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB - Mestrado Associativo UEFS/UESB/UESC/UNEB. Graduada em Direito pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Campus XX, Brumado, Bahia. Pós - graduanda em Seguridade Social, Direito Previdenciário e Prática Previdenciária. Pós - graduanda em Relações Sociais e Novos Direitos pela UESB. Estagiária de pós - graduação no Ministério Público do Estado da Bahia - MPBA.

Citas

__________. III Antologia da AESSP. Marabá: AESSP, 2021. Disponível em: <https://mapacultural.pa.gov.br/files/project/2315/iii-antologia-da-aessp-ebook.pdf>. Acesso em: 22 jun. 2026.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Tradução de Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.-

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.

SILVA, Kennya. In: BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Graduada em Letras, produtora do Pará traduz em poesia a vida de mulheres rurais. Brasília, 16 abr. 2019. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/2022/produtora-rural-do-interior-do-para-traduz-em-poesia-os-desafios-das-mulheres-rurais>. Acesso em: 15 Jun. 2026.

Publicado

2026-11-04