“PRETO E DINHEIRO SÃO PALAVRAS RIVAIS?”: ASCENSÃO SOCIAL, IDENTIDADE RACIAL E O CAPITALISMO DE PLATAFORMA ENTRE INFLUENCIADORES DIGITAIS NEGROS NO BRASIL

Autores/as

Palabras clave:

Classe média negra, Influenciadores digitais, Ascensão social, Identidade racial, Plataformas digitais

Resumen

A pesquisa investiga a emergência de uma nova Classe Média Negra (CMN) no Brasil a partir do crescimento do mercado digital e da atuação de influenciadores negros nas redes sociais, buscando compreender suas trajetórias profissionais, estratégias de enfrentamento ao racismo, condições de trabalho, formas de obtenção de público e anunciantes e relações de retorno à comunidade negra por meio do chamado Black Money. De natureza qualitativa e quantitativa e fundamentada em aportes da Sociologia, Antropologia e Administração, a investigação articula revisão bibliográfica, dados do IBGE, PNAD Contínua e IPEA, métricas de plataformas digitais e entrevistas em profundidade orientadas pela abordagem de história de vida e pela perspectiva afrocêntrica. A amostra não probabilística-intencional foi composta por 20 influenciadores negros, distribuídos entre as cinco regiões brasileiras, com atuação em diferentes nichos e utilização das mídias sociais como principal fonte de renda ou como atividade em processo de profissionalização. Os resultados indicam que os participantes, com idades entre 22 e 48 anos, apresentam renda mensal entre 5 e mais de 20 salários-mínimos e se concentram majoritariamente na Classe C, com alguns casos na Classe B, evidenciando trajetórias de mobilidade social associadas ao mercado digital. Apesar do acesso ampliado a bens, serviços e espaços anteriormente restritos, permanecem experiências de discriminação racial, desconforto em ambientes majoritariamente brancos, desigualdade de remuneração, monitoramento e remoção de conteúdos e percepção de discriminação algorítmica. A pesquisa também evidencia condições de trabalho marcadas pela volatilidade da renda, ausência de vínculos formais e proteção previdenciária, pressão por produção contínua e impactos sobre a saúde mental, além de diferenças regionais nas oportunidades de inserção no mercado digital. Observa-se ainda a ampliação da escolaridade em relação às gerações familiares anteriores, frequentemente associada às políticas de ações afirmativas, bem como processos de reafricanização cultural e iniciativas de fortalecimento da comunidade negra e circulação do Black Money. Conclui-se que uma nova Classe Média Negra está emergindo impulsionada pelas plataformas digitais, mas essa mobilidade permanece marcada pela instabilidade econômica, precarização do trabalho e ausência de mecanismos de transmissão geracional de status, demonstrando que a ascensão socioeconômica não elimina as desigualdades raciais e que as plataformas digitais, simultaneamente, ampliam possibilidades de visibilidade e reproduzem formas de desigualdade, individualização e controle.

 

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Biografía del autor/a

Djavã Francisco Silva dos Santos, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil

Arte-educador, artista visual e escritor de Ficção Científica e horror, também denominado Djavan Benin, nome artístico e político. Doutorando em Cultura e Sociedade - Universidade Federal da Bahia (UFBA); Mestre em Estudos Étnicos e Africanos - Pós Afro/CEAO/UFBA; Pós-graduado em Gestão Pública - EAD MG; Pós-graduado em História da Bahia - Faculdade São Bento da Bahia; Bacharel em Administração - Faculdade Visconde de Cairu; Bacharel em Design - Escola de Belas Artes (EBA) - UFBA; Idiomas: Inglês, espanhol e Alemão. Professor efetivo de Artes Visuais da Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4154-1604.

Citas

ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricidade: a teoria de mudança social. São Paulo: UCPA, 2014.

AZEVEDO, Thales de. As elites de cor: um estudo sobre a ascensão social. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955.

MACHADO, Vítor. Influencers brancos ganham 35% mais do que os negros – diz um estudo norte-americano. NiT, São Paulo, 7 dez. 2021. Disponível em: https://www.nit.pt/compras/finfluencers-brancos-ganham-35-mais-do-que-os-negros-diz-um-estudo-norte-americano. Acesso em: 26 jun. 2026.

NASCIMENTO, Elisa Larkin (org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009.

SANTOS, Djavã Francisco Silva dos. "Preto e dinheiro são palavras rivais?": um estudo histórico e contemporâneo sobre a ascensão social e identidade racial dos influenciadores digitais negros brasileiros. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Salvador, 2025.

Publicado

2026-11-04