A MEMÓRIA COMO REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO MOVIMENTO DE MULHERES DE CARINHANHA-BA

Autores/as

Palabras clave:

Memória, Representação social, Feminismo, Movimento de mulheres

Resumen

O estudo investiga as histórias, memórias e saberes do Movimento de Mulheres de Carinhanha, no oeste da Bahia (Território de Identidade Velho Chico), analisando a organização e as lutas do coletivo frente a estruturas locais marcadamente conservadoras, patriarcais e neoliberais. A pesquisa parte da constatação de que as narrativas e experiências das mulheres das margens sociais foram historicamente negligenciadas, infantilizadas e apagadas das historiografias oficiais. O objetivo central consiste em inventariar e salvaguardar a memória coletiva desse movimento social composto exclusivamente por mulheres, compreendendo suas estratégias de resistência, a articulação de seus saberes e a sua atuação no combate às múltiplas formas de opressão e desigualdade social no município.

A fundamentação teórica e o percurso metodológico caracterizam-se por uma abordagem qualitativa pautada no método da História Oral, orientada por um roteiro de entrevista aberto e dinâmico, devidamente aprovado por comitê de ética em 2026. O arcabouço conceitual mobiliza autoras e autores como Heleieth Saffioti para discutir a opressão feminina, Maria da Glória Gohn no campo dos movimentos sociais, Michael Pollak sobre memória e identidade, Marieta de Moraes Ferreira na metodologia oral e Laurence Bardin para a Análise de Conteúdo. A constituição do corpus envolveu também uma revisão sistemática da literatura no Portal de Periódicos CAPES, Google Acadêmico e Web of Science, visando examinar como as produções científicas recentes abordam a disputa política em torno do esquecimento e do reconhecimento das lutas feministas.

Os resultados preliminares e as discussões indicam que a preservação da memória no âmbito dos movimentos sociais constitui um fenômeno de acirrada disputa política e ideológica, no qual as classes dominantes frequentemente manipulam o passado para perpetuar estereótipos e discursos hegemônicos. O estudo evidencia que a rememoração das trajetórias do Movimento de Mulheres de Carinhanha atua como um antídoto ao silenciamento histórico, demonstrando que as práticas do coletivo extrapolam as pautas de gênero ao intervirem criticamente em questões de justiça social e cidadania. As análises apontam que a reconstituição das vozes e dos "ditos e não ditos" das integrantes permite reposicionar a atuação feminina na história regional, fortalecendo a representatividade e a conquista de espaços de decisão usurpados ao longo do tempo.

Em conclusão, a pesquisa — que se encontra em andamento — reafirma a urgência de retirar do anonimato o legado histórico e cultural do Movimento de Mulheres de Carinhanha, projetando a preservação dessa memória como instrumento de fortalecimento democrático. O trabalho destaca que a valorização dos saberes do coletivo possibilita a construção de uma memória coletiva sem apagamentos intencionais, oferecendo subsídios para futuras gerações e pesquisas em ciências humanas. Por fim, o estudo prevê a elaboração de um produto educacional em formato de livro, destinado a disponibilizar esse acervo histórico e reflexivo para a comunidade escolar, pesquisadores e a sociedade em geral.

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Biografía del autor/a

Aurea Belém Farias Santana, Universidade do Estado da Bahia, Bahia, Brasil

Mestranda em Ensino Linguagem e Sociedade - PPGELS/UNEB, possui graduação em Letras -Língua Portuguesa pela Universidade de Brasília (2015), graduação em Pedagogia- Licenciatura Plena pela Universidade do Estado da Bahia (2006). Pós-graduação em Educação Ambiental pela FACIG, e Gestão Educacional pela UNYAHNA. É professora da Rede Municipal de Educação de Carinhanha. Já atuou como gestora de escola, coordenadora pedagógica, supervisora de ensino da Secretaria Municipal de Educação de Carinhanha, orientadora e coordenadora do Pacto/pnaic - Programa de Alfabetização na idade Certa, atuei como coordenadora do Plano Municipal de Educação - PME de Carinhanha. Atualmente participo do Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem - GPCSL, e do Grupo História das Mulheres, Gênero e Literaturas UNEB.

Nivaldo Osvaldo Dutra, Universidade do Estado da Bahia, Bahia, Brasil

Possui Doutorado em História Social - PUC- SP (2015); Mestrado em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC-SP (2007), Especialista em História Social pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB (1998). Licenciatura Plena Em História pela Universidade Federal da Bahia (1993). Atualmente é professor Colaborador do PPGELS. Pesquisador do Grupo de Pesquisa Cultura Sociedade e Linguagem- GPCSL; e Núcleo de Estudos Culturais: Histórias, Memórias e Perspectivas do Presente-NEC e do Coletivo Marilene Matos.

Citas

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Publicado

2026-11-04