CARÊNCIAS DE ORIENTAÇÃO TEMPORAL E FORMAÇÃO DO PENSAMENTO HISTÓRICO: REFLEXÕES A PARTIR DA AULA HISTÓRICA

Autores/as

Palabras clave:

Aula histórica, Pensamento histórico, Orientação temporal, Aprendizagem histórica, Educação histórica

Resumen

A pesquisa analisa as carências de orientação temporal evidenciadas nas protonarrativas de estudantes do Ensino Médio e suas implicações para a formação do pensamento histórico, com base nos pressupostos da Aula Histórica e da Didática Reconstrutivista da História. Vinculada a uma tese de doutorado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Ensino da Rede Nordeste de Ensino (RENOEN/UESB), a investigação adota abordagem qualitativa e exploratória, envolvendo 22 estudantes do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública de Maetinga, Bahia. O corpus é constituído por protonarrativas produzidas durante o desenvolvimento do primeiro fator da Aula Histórica, analisadas por meio da Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2016), tendo como categorias orientadoras as competências do pensamento histórico propostas por Schmidt (2020, 2021). Os resultados preliminares revelam concepções simplificadas sobre a escravidão e as mestiçagens no Brasil, frequentemente compreendidas a partir de perspectivas tradicionais, biologizantes e pouco relacionadas às desigualdades contemporâneas. Observou-se o silenciamento da escravidão indígena, bem como dificuldades no uso de fontes como evidências, na elaboração de interpretações e argumentos históricos e na compreensão das relações entre mudança e continuidade. Embora alguns estudantes estabeleçam conexões entre o passado escravista e problemas atuais, como o trabalho análogo à escravidão, essas relações permanecem, em grande parte, apoiadas no senso comum e em conhecimentos fragmentados. As protonarrativas também evidenciam manifestações de indignação e reconhecimento de problemas sociais, indicando possibilidades de articulação entre os conteúdos históricos e as experiências dos estudantes. Conclui-se que as carências de orientação temporal identificadas constituem elementos fundamentais para o planejamento de intervenções didáticas que articulem a vida prática ao conhecimento histórico sistematizado, favorecendo a atribuição de sentido ao passado, a compreensão das relações temporais e a formação do pensamento histórico para a orientação consciente das ações no presente e no futuro.

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Biografía del autor/a

Ocerlan Ferreira Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), graduação em Ciências Sociais pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES); Especialização em Educação, cultura e memória (UESB); Especialização em Mídias na Educação (UESB): Mestrado em Memória: Linguagem e Sociedade pela UESB; Doutorando em Ensino pela Rede Nordeste de Ensino (RENOEN), polo da UESB. É professor de História e Sociologia da Rede Estadual de Ensino da Bahia (SEC-BA/NTE-20). Tem experiência na área de Memória e História, com ênfase em História, ensino de História atuando principalmente nos seguintes temas: Escravidão e mestiçagens no sertões da Bahia entre os séculos XVIII e XIX, aprendizagem histórica no âmbito da Didática da História e da Educação Histórica. Membro do grupo de Pesquisa Escravidão e Mestiçagens: poderes, povos, lugares e trânsitos culturais no Novo Mundo; Linha de pesquisa: Ensino de História, escravidão, hierarquias (CNPq -UESB). Membro do Laboratório de Estudos e Pesquisa em Ensino de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (LAPEH-UESB).

Citas

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.

RÜSEN, Jörn. Razão histórica: teoria da história, os fundamentos da ciência história. Brasília: Editora UnB, 2001.

RÜSEN, Jörn. Teoria da História: uma teoria da História como Ciência. Curitiba: Editora UFPR, 2016.

SCHMIDT, Maria Auxiliadora M. dos Santos. Didática Reconstrutivista da História. Curitiba: CRV, 2020.

SCHMIDT, Maria Auxiliadora. Percursos dialógicos com Isabel Barca: a crise da transposição didática e a construção da aula histórica. In: ALVES, Luís Alberto;

GAGO, Marília; LAGARTO, Mariana (orgs.). Vinte Anos das Jornadas Internacionais de Educação Histórica. Porto: CITCEM, 2021, p. 17-32. Disponível em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/18598.pdf. Acesso em 10 de nov. 2023.

Publicado

2026-11-04