MOVIMENTOS E ALIANÇAS NACIONAIS EM DEFESA DA DESMILITARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA: RESISTÊNCIAS PELO ENCERRAMENTO DO PECIM (2019-2023)
Palabras clave:
Política Educacional, Militarização da educação, Pecim, Resistências, DesmilitarizaçãoResumen
O estudo investiga as mobilizações, alianças e estratégias de resistência empreendidas por entidades nacionais em defesa do encerramento do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), instituído durante a gestão de Jair Bolsonaro pelo Decreto nº 10.004/2019 e executado entre 2019 e 2023. Derivado de uma pesquisa de doutorado concluída em 2025, o trabalho problematiza a expansão da presença de corporações e práticas militares na Educação Básica civil como uma ofensiva autoritária e neoconservadora vinculada a grupos de extrema-direita. A pesquisa questiona quais foram os movimentos sociais, sindicais e acadêmicos consolidados no período, identificando suas pautas centrais, seus modos de atuação e sua capacidade de incidência política nas decisões do governo federal e no debate público.
A fundamentação teórica e o percurso metodológico ancoram-se nos referenciais do materialismo histórico e dialético, compreendendo a política educacional como uma arena atravessada pela luta de classes e pelos conflitos constitutivos da sociedade política e da sociedade civil. O procedimento metodológico pautou-se por uma análise documental de viés histórico-crítico, examinando um corpus composto por manifestos, notas públicas, cartas abertas, moções de repúdio e abaixo-assinados divulgados por instâncias como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) e a Conferência Nacional Popular de Educação (CONAPE). Os documentos foram tratados como registros materiais de disputas históricas, em diálogo direto com os estudos sobre a militarização do ensino e as instâncias de proteção aos direitos humanos.
Os resultados e as discussões evidenciam que a oposição ao PECIM reuniu uma ampla rede articulada em defesa da gestão democrática, da diversidade e da autonomia pedagógica, denunciando que a imposição de padrões militares corrói as garantias constitucionais, amplia a segregação no acesso e viola os direitos de crianças e adolescentes. As análises destacam marcos dessa resistência, como a moção de repúdio da CNTE em 2019, os posicionamentos do FNPE contestando a legalidade e a metodologia do programa em 2020, e a articulação da Carta da sociedade civil pela desmilitarização da educação e da vida em 2023. O estudo ressalta que essa pressão unificada incidiu diretamente na esfera pública e compôs o conjunto de fatores políticos que culminou na revogação oficial do programa pelo Decreto nº 11.611/2023, assinado no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conclusão, o trabalho demonstra que a atuação das entidades e frentes democráticas alcançou uma vitória expressiva com a extinção do PECIM em âmbito federal, embora reconheça o caráter parcial dessa conquista frente à continuidade de programas estaduais e municipais de militarização. O estudo enfatiza que a resistência construída no período permanece crucial no cenário educacional brasileiro, especialmente no acompanhamento das deliberações do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade do modelo e no enfrentamento contínuo às investidas neoconservadoras. Por fim, a investigação ratifica a urgência da desmilitarização ampla da educação e da defesa da escola pública universal, laica, plural e pautada pelos direitos humanos como condição indispensável para a consolidação da democracia no país.
Descargas
Citas
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO NO BRASIL (CNTE). Moção de repúdio à adesão do projeto de militarização das escolas por estados brasileiros. Brasília, 2019.
CONFERÊNCIA NACIONAL POPULAR DE EDUCAÇÃO (Conape). Documento Final: Reconstruir o País. Natal, 2022.
ENTIDADES. Carta da sociedade civil pela desmilitarização da educação e da vida. Retratos Da Escola, v. 17, n. 37, p. 375-385, 2023.
EVANGELISTA, Olinda. Apontamentos para o trabalho com documentos de política educacional. In: ARAUJO, Ronaldo Marcos Lima; RODRIGUES, Doriedson S. (Org.). A pesquisa em trabalho, educação e políticas educacionais. Campinas: Alínea, 2012, p. 52-71.
FÓRUM NACIONAL POPULAR DE EDUCAÇÃO (FNPE). Nota do FNPE sobre a militarização das escolas públicas no Brasil. Brasília, 2020.
LEHER, Roberto; SANTOS, Maria Rosimary Soares dos. Governo Bolsonaro e autocracia burguesa: expressões neofascistas no capitalismo dependente. In: LEHER, Roberto. Educação no governo Bolsonaro. São Paulo: Expressão Popular, 2023, p. 9-42.
SANTOS, Catarina de Almeida; ALVES, Miriam Fábia; XIMENES, Salomão Barros. A expansão da militarização da educação básica no Brasil: continuidades, omissões e resistências. Revista Cocar, n. 27, p. 1-24, 2024.
SANTOS, Eduardo Junio Ferreira; ALVES, Miriam Fábia. Militarização da educação pública no Brasil em 2019: análise do cenário nacional. Cadernos de Pesquisa, v. 52, p. 1-18, 2022.
SARAIVA, Ana Pontes. Militarização e desmilitarização das escolas públicas brasileiras: contradições e resistências. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, v. 15, n. 2, p. 201- 226, 2023.
TOMAZINI, Amanda Marques. Programa Nacional das Escolas Cívico- Militares (2019-2022): regulamentação, adesão e resistências. 2023. 153 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2023.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Colóquio Nacional e Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da UESB

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.