ENTRE O ESCONDE-ESCONDE E O PK XD: PERMANÊNCIAS E RESSIGNIFICAÇÕES DO BRINCAR INFANTIL NA ERA DIGITAL

Autores/as

Palabras clave:

Cultura lúdica, Psicologia Histórico-Cultural, Brincadeiras intergeracionais

Resumen

O estudo analisa a articulação entre brincadeiras tradicionais e tecnologias digitais no cotidiano de crianças de uma comunidade rural, com base nos pressupostos da Psicologia Histórico-Cultural. O objetivo consiste em compreender como crianças do povoado de Vereda, localizado na zona rural de Boquira, Bahia, vivenciam o brincar, considerando os processos de transmissão intergeracional, ressignificação cultural e mediação familiar. De abordagem qualitativa e caráter exploratório, a pesquisa foi realizada com quatro crianças, com idades entre cinco e dez anos, e dois responsáveis familiares. A produção dos dados envolveu entrevistas semiestruturadas, observação direta das atividades lúdicas e registros fotográficos dos ambientes escolar e doméstico. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo temática, conforme Bardin, em diálogo com os conceitos de mediação, apropriação cultural e desenvolvimento das funções psicológicas superiores, fundamentados em Vigotski e em outros autores da perspectiva histórico-cultural. Os resultados evidenciam que o uso de celulares e jogos virtuais, como PK XD e simuladores, coexiste com brincadeiras tradicionais, a exemplo de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, dominó e comidinha. Observa-se que as crianças transitam entre os ambientes presencial e digital, constituindo uma cultura lúdica híbrida na qual as tecnologias são incorporadas ao repertório de brincadeiras sem eliminar as práticas comunitárias. Destaca-se, ainda, o papel da família na transmissão de memórias lúdicas e na participação em atividades ao ar livre, favorecendo a continuidade e a ressignificação das tradições pelas crianças. Conclui-se que as tecnologias digitais e as brincadeiras tradicionais coexistem no contexto rural, evidenciando que a cultura lúdica se transforma por meio das relações sociais e das mediações históricas e culturais. Dessa forma, o brincar configura-se como espaço de criação, socialização e produção de sentidos, no qual tradição e inovação participam do desenvolvimento infantil.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Lesiana Oliveira Vaz, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Graduanda em Psicologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Carmem Virgínia Moraes da Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2007), doutora em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (2016) e pós-doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP/Ribeirão Preto). Formação Básica em Psicologia Clínica Histórico-Cultural e experiência como Psicóloga Escolar e Educacional, Professora Titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Professora Permanente Externa do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde (UFBA/IMS). Coordenadora do 'Núcleo de Pesquisas e Estudos em Psicologia da UESB' - NUPEP-UESB, no qual coordena a linha de pesquisa Desenvolvimento Humano, Educação e Saúde. Colaboradora vinculada ao Laboratório de Psicologia Socioambiental e Práticas Educativas - LAPSAPE da Universidade de São Paulo (USP).

Citas

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.

BECKER, B. L. Infância, Tecnologia e Ludicidade: a visão das crianças sobre as apropriações criativas das tecnologias digitais e o estabelecimento de uma cultura lúdica contemporânea. 2017. 288 f. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade Federal da Bahia, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Salvador, 2017.

FARIAS, F. C; DAL PIZZOL, A; SANTINELLO, J. A tecnologia digital e a relação com o brincar infantil: reflexões teóricas. Revista Sítio Novo, Palmas, v. 4, n. 4, p. 271–281, 2020. DOI: 10.47236/2594-7036.2020.v4.i4.271-281p. Disponível em: https://sitionovo.ifto.edu.br/index.php/sitionovo/article/view/761.

MELO, S. A. A Escola de Vygotsky. In: CARRARA, K. Introdução à Psicologia da Educação - Seis Abordagens. São Paulo, Avercamp Editora, 2004. p. 135-155.

SILVA, M. F. dos S. et al. As brincadeiras das crianças de ontem e de hoje no contexto sociocultural. Holos, v.3, p.62-74, 2017. DOI: 10.15628/holos.2017.5763.

SOUZA, J. S.; BONILLA, M. H. S. O brincar na contemporaneidade: experiências lúdicas na cultura digital. Revista Pedagógica, Chapecó, v. 22, p. 1-25, 2020. DOI: https://doi.org/10.22196/rp.v22i0.5686.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

VIGOTSKI, L.D. A brincadeira e o seu papel no desenvolvimento psíquico da criança.Tradução de Zoia Prestes. Revista Virtual de Gestão de Iniciativas Sociais, v. 8, p. 23-36, jun. 2008.

VIGOTSKI, L. S. Sete aulas de L. S. Vigotski sobre os fundamentos da pedologia. Organização e tradução: Zoia Prestes e Elizabeth Tunes. Rio de Janeiro: E-papers, 2018.

ZANELLA, A. V. et al. Contribuições de Vigotski à pesquisa em Psicologia. In: ZANELLA, A. V. (org.). Psicologia histórico-cultural em foco: aproximações a alguns de seus aprofundamentos e conceitos. Florianópolis: Edições do Bosque, 2020. p. 149-168.

Publicado

2026-11-04