O LUGAR DO ESCRITO DE PROFESSORAS DA ESCOLA NORMAL DE CAETITÉ (1920-1940): A ESCRITA COMO FERRAMENTA DE RESISTÊNCIA SOCIAL
Palabras clave:
Escola Normal de Caetité, Escrita de professoras, História da educaçãoResumen
O estudo analisa a escrita como forma de expressão, organização pedagógica e resistência social nas trajetórias de professoras que atuaram na Escola Normal de Caetité entre as décadas de 1920 e 1940. No âmbito da História da Educação, da História Cultural e da História da Cultura Escrita, investiga a constituição da identidade docente e a inserção feminina no espaço público do Alto Sertão da Bahia, considerando o centenário da reintegração da instituição, em 2026. A pesquisa focaliza Eponina Zita dos Santos Gumes, mulher branca oriunda de família vinculada à cultura impressa local, e Raquel Pereira Carneiro, mulher negra de origem rural e com poucos recursos econômicos, buscando compreender como as desigualdades sociais e raciais atravessaram suas práticas de leitura e escrita. De abordagem qualitativa, exploratória e documental, fundamenta-se nos pressupostos de Laurence Bardin e na análise de fontes primárias custodiadas pelo Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), incluindo a Revista de Educação da Escola Normal, o jornal A Penna, cartas, fotografias, quadros comemorativos e manuscritos inéditos. O percurso metodológico contempla ações de salvaguarda, higienização, acondicionamento, catalogação e leitura crítica do acervo. Os resultados evidenciam diferentes possibilidades de afirmação por meio da escrita: Eponina Gumes publicou, em 1927, o ensaio “Porque desejo ser professora”, favorecida pelos vínculos familiares com a imprensa local, enquanto Raquel Carneiro elaborou um discurso manuscrito para sua formatura, em 1932. Sua trajetória e posterior atuação docente em Tanque Novo revelam a escrita como instrumento de autovalorização e enfrentamento das desigualdades de raça e classe. Conclui-se que o estudo contribui para ampliar a historiografia da educação baiana sob uma perspectiva sertaneja, conferindo visibilidade a práticas educativas historicamente marginalizadas e destacando o papel da escrita na reconfiguração dos papéis femininos e na constituição de subjetividades docentes, bem como a importância da preservação documental para a compreensão da formação de professores no Brasil.
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Citas
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