CURRÍCULO, SILENCIAMENTO E AFRICANIDADE: O LUGAR DO EGITO ANTIGO NO DCRB

Autores/as

Palabras clave:

Currículo, Relações etnico-raciais, DCRB, Egito Antigo

Resumen

A presente pesquisa analisa a abordagem do Egito Antigo no Documento Curricular Referencial da Bahia (DCRB), com foco no 6º ano do Ensino Fundamental, buscando identificar ausências curriculares e suas implicações para a consolidação de uma educação antirracista. De natureza qualitativa, bibliográfica e documental, a investigação fundamenta-se na compreensão do currículo como construção discursiva atravessada por relações de poder, conforme Lopes e Macedo (2011), e dialoga com estudos sobre História Antiga Africana e relações étnico-raciais. A análise concentra-se nas unidades temáticas “A invenção do mundo clássico e o contraponto com outras sociedades” e “Lógicas de organização política”, considerando as contribuições de Fábio Frizzo (2016), Raquel Funari (2018), Raisa Sagredo (2022), Théophile Obenga (2004) e Sueli Carneiro (2023). Os resultados apontam que, embora o DCRB mencione os egípcios, sua abordagem os posiciona como contraponto à centralidade de Grécia e Roma, subordinando a experiência africana a referências eurocêntricas. Observa-se, ainda, a simplificação das formas de organização política dos povos africanos e o enquadramento de sua historicidade em marcos interpretativos ocidentais, aspectos que podem contribuir para o silenciamento de suas agências e produções de conhecimento. Conclui-se que essas escolhas curriculares evidenciam limites à efetivação da Lei nº 10.639/2003 e reforçam a necessidade de abordagens que reconheçam a pluralidade das sociedades africanas e o protagonismo do continente na produção histórica, científica e filosófica da humanidade.

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Biografía del autor/a

Luana Silva França, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Luana Silva França é doutoranda em Educação pelo programa de pós-graduação em educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGED/UESB), na linha de Currículo, Práticas Educativas e Diversidade, e mestra em Relações Étnicas e Contemporaneidade pelo programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade (PPGREC/UESB - Campus de Jequié), tendo atuado como bolsista CAPES durante o mestrado. Atualmente, é bolsista de doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB). Possui trajetória na gestão pública como coordenadora de Políticas de Igualdade Racial e coordenadora pedagógica no município de Belo Campo (BA), além de experiência docente na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É especialista em História (UESB), Gestão Estratégica na Educação Básica (Fiocruz) e Teoria e Prática na Educação Básica (IFMG), e graduada em História e Pedagogia. Integra os grupos de pesquisa CANDACES/UNEB (Gênero, Raça, Cultura e Sociedade) e VIVAs (Grupo de Pesquisa em Estudos Feministas, Gênero, Diversidade e Educação), desenvolvendo estudos sobre interseccionalidades de raça e gênero, feminismo negro e educação para as relações étnico-raciais 

Esther Pessoa Costa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista. Durante a graduação, integrou o Laboratório de Ensino e Historiografia da Antiguidade e do Medievo (LEHAM), espaço dedicado à produção, discussão e difusão de pesquisas relacionadas à História Antiga, História Medieval e ao Ensino de História. Nesse contexto, foi bolsista de Iniciação Científica pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e pelo Programa de Iniciação Científica da UESB (PIC/UESB), vinculada ao projeto de pesquisa Diálogos entre História Antiga e o Ensino de História, cujo objetivo consistiu em analisar as interfaces entre a produção historiográfica sobre a Antiguidade e sua apropriação no contexto escolar. No âmbito do LEHAM, desenvolveu investigação voltada ao estudo do trabalho compulsório no Egito Antigo, com ênfase nas formas de organização e nas representações sociais desse fenômeno, bem como na análise da construção da imagem do escravizado egípcio em livros didáticos de História destinados ao Ensino Fundamental II. Esse percurso de pesquisa articula-se ao campo do Ensino de História, ao considerar tanto os processos de elaboração das narrativas didáticas quanto os impactos dessas representações na formação crítica dos estudantes da educação básica. Além das atividades voltadas para a História Antiga e para o Ensino de História, demonstra interesse em temáticas relacionadas à educação e às políticas públicas, especialmente no que se refere às condições de vulnerabilidade social dos discentes, às políticas de assistência estudantil e às discussões sobre acesso e permanência no ensino superior. Atualmente, também desenvolve pesquisas voltadas à análise do currículo e das práticas educativas, com ênfase na crítica às abordagens eurocêntricas presentes nos livros didáticos da educação básica. Nesse sentido, busca problematizar lacunas relacionadas à construção de narrativas históricas únicas, propondo o uso de fontes históricas transliteradas dos hieróglifos como estratégia para ampliar as perspectivas de ensino e contribuir para uma prática educativa mais crítica no campo das Ciências Humanas, especialmente no ensino de História Antiga. 

Ana Luiza Salgado Cunha, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Professora Adjunta do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, campus Vitória da Conquista. Professora do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED/UESB) e do Programa de Pós-Graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade (PPGELS/UNEB). Com pós-doutorado (2022) no Programa de Pós-Graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade (PPGELS) na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus VI. Líder do VIVAs - Grupo de Pesquisa e Estudos Feministas, Gênero, Diversidade e Educação (UESB). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Ensino de Geografia - GEPEGEO. Tem doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos(2018/UFSCar), na linha de Práticas Sociais e Processos Educativos. Cursou doutoramento sanduíche na Universidade de Coimbra, Portugal, (2017), no Centro de Estudos Sociais(CES), com enfoque em Universidade e Educação Popular. Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Viçosa(2013). Pedagoga (2011) pela Universidade Federal de Viçosa. Coordenadora do Projeto de Pesquisa Epistemologias Feministas e Estudos das Mulheres: gênero, sexualidade e diversidade. Desenvolve pesquisas nas áreas de Educação, Políticas Públicas Educacionais, Gênero e Feminismo, Formação de Professores, Currículo e Representações no Livro Didático.

Citas

BAHIA. Secretaria da Educação. Documento Curricular Referencial da Bahia (DCRB): Educação Infantil e Ensino Fundamental. v.1. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

FRIZZO, Fábio. A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e os descaminhos do ensino da Antiguidade Egípcia no Brasil. In: BRANCAGLION JUNIOR, Antonio; GAMA-ROLLAND, Cintia Alfieri (org.). Semna – Estudos de Egiptologia III. Rio de Janeiro: Seshat – Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional / Editora Klínē, 2016. p. 49-56.

FUNARI, Raquel dos Santos. A África antiga no ensino de história. Heródoto, Guarulhos, v. 3, n. 2, p. 194-204, dez. 2018.

LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de currículo. São Paulo: Cortez, 2011.

OBENGA, Théophile. Egito: história antiga da filosofia africana. Tradução de Vinícius da Silva. In: WIREDU, Kwasi (ed.). A companion to African philosophy. Massachusetts: Blackwell Publishing, 2004. p. 31-49.

SAGREDO, Raisa. (Re)pensando o Egito antigo em sala de aula: estratégias e metodologias decoloniais. Revista Habitus (RHHJ), Rio de Janeiro, v. 12, n. 24, 2022.

Publicado

2026-11-04