TERRITÓRIO, ÁGUA E SOBERANIA ALIMENTAR: DO AGROFRUTINEGÓCIO AOS CAMINHOS DA (RE)EXISTÊNCIA CAMPONESA EM ITAPICURU E RIBEIRA DO AMPARO

Autores/as

Palabras clave:

Sistemas alimentares, Agrofrutinegócio, (Re)Existências, Insegurança Alimentar, Insegurança Hídrica

Resumen

O presente trabalho analisa os efeitos do agro(hidro)negócio e do agrofrutinegócio sobre os sistemas alimentares, a segurança hídrica e a segurança alimentar nos municípios de Itapicuru e Ribeira do Amparo, na Bahia, considerando as contradições territoriais e as estratégias de (re)existência da agricultura familiar camponesa. De natureza exploratória e abordagem quali-quantitativa, a pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão teórica, levantamento de dados secundários, observações de campo, entrevistas semiestruturadas e aplicação de 531 questionários, utilizando a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) e a Escala Domiciliar de Experiência Hídrica (EDIH). Os resultados indicam que apenas 42,3% dos domicílios investigados em Itapicuru e 45,1% em Ribeira do Amparo apresentam segurança alimentar. Quanto à segurança hídrica, os índices correspondem a 68,6% e 59,3%, respectivamente, evidenciando maior vulnerabilidade em Ribeira do Amparo. As observações de campo apontam que a expansão de monocultivos e da produção irrigada voltada ao mercado compromete fontes comunitárias de água, intensifica disputas pelo acesso aos recursos hídricos e agrava as condições de reprodução da vida camponesa. Em contraposição, práticas como a horticultura familiar, a mandiocultura e o trabalho coletivo nas casas de farinha contribuem para a diversificação alimentar, o abastecimento dos mercados locais e a autonomia produtiva. A atuação da Cooperativa MELIRA, por meio da apicultura associada à conservação da Caatinga, também se destaca como alternativa econômica vinculada à sustentabilidade territorial. Conclui-se que a expansão dos modelos produtivos intensivos em terra e água aprofunda as desigualdades socioambientais e compromete a segurança hídrica e alimentar, enquanto as práticas camponesas e cooperativas constituem estratégias fundamentais de resistência, autonomia e convivência com o Semiárido.

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Biografía del autor/a

Felipe da Fonseca Souza, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, Sergipe, Brasil

Doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFS. Mestre em Ensino de Ciências Ambientais pelo PROFCIAMB/UFS (2018). Licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (2016). Especialista em Educação Contemporânea pela Universidade Salvador (2025). Atualmente é Professor Efetivo da Rede Estadual da Bahia (SEC/BA) e Professor Substituto na Rede Estadual de Sergipe (SEED/SE). Atuou como Redator e Formador do Currículo de Sergipe na área de Geografia para o Ensino Fundamental na Comissão de Implementação da Base Nacional Comum Curricular (PROBNCC/FNDE/MEC, 2018-2021). Membro do Grupo de pesquisa em Alimentos e Manifestações Culturais Tradicionais (GRUPAM) e do Grupo de Pesquisa Educação e Buen Vivir (EDUCABEM) com pesquisas na área de Sistemas Alimentares, (Re)Existências, Insegurança Hídrica e Insegurança Alimentar, Cartografia Social, Educação do Buen Vivir, Geografia dos Alimentos, Ciências Ambientais, Currículo e Formação de Professores, Ensino de Geografia, Ensino das Ciências Ambientais e Ecologia Humana.

Sônia de Souza Mendonça Menezes, Universidade Federal de Sergipe

Professora Associada IV do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe. Cursou Doutorado, Mestrado e Licenciatura em Geografia UFS. Realizou o Estágio Pós-doutoral no período de 06/2019 a 06/2020 no Laboratório dos Estudos Territoriais -Laboter, vinculado ao Instituto de Estudos Socio Ambientais - IESA na Universidade Federal de Goiás. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Geografia no biênio 2017-2019. Foi Coordenadora adjunta do PPGEO no biênio 2019-2021.Atualmente é Coordenadora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFS. Coordenou os Programas PIBID no período de 2015-2018 e Residência Pedagógica 2018-2019. Participa como membro do Conselho Editorial da Revista Geonordeste e do Conselho Científico da Revista Campo-Território. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alimentos e Manifestações Tradicionais - GRUPAM/UFS/CNPq. Integra a Rede de Estudos Agrários-REA formada por docentes da UNESP-Rio Claro-SP; UNIPEL-RS, UNIFAL-MG; UNIMONTES-MG; UFS-SE; UERJ; FURG; UEPG, UPE. Também participa como membro do Centro Internacional de Pesquisa do Observatório de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado de Sergipe e da Rede Sial do Brasil. É membro da Rede Sergipana de Agroecologia - RESEA. Coordena pesquisas relacionadas aos estudos sobre a produção, circulação e consumo de alimentos; SIAL-Sistema Agroalimentar Localizados; Soberania e Segurança Alimentar Nutricional; Agroecologia; Geografia cultural e Ensino da geografia. Coordenou o Projeto PROMOB: Análise das novas territorialidades no espaço rural nos estados de Sergipe, Minas Gerais e Goiás financiado pelo Edital CAPES/FAPITEC N 10/2016 - PROMOB, o qual envolveu docentes e discentes dos Programas de Pós-Graduação em Geografia da UFS, UFG e UFMG.

Citas

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Publicado

2026-11-04