TRAUMA, VULNERABILIDADE E AUTONOMIA: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA DO TRAUMA PARA A COMPREENSÃO JURÍDICA DA PERMANÊNCIA DA MULHER NO CICLO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Autores/as

Palabras clave:

Violência doméstica, Lei Maria da Penha, Ciclo da violência, Autonomia feminina, Psicologia do trauma

Resumen

O presente estudo tem como objetivo discutir como as contribuições da psicologia do trauma podem subsidiar uma releitura jurídica da autonomia da mulher que permanece no ciclo da violência doméstica, considerando os efeitos psicológicos da vitimização sobre a capacidade de autodeterminação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e abordagem interdisciplinar, fundamentada nas contribuições de Sándor Ferenczi (1992), Judith Herman (1992) e Lenore Walker (2000), articuladas à análise descritiva de dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado, 2025). Os resultados evidenciam que a permanência em relações abusivas não pode ser compreendida isoladamente como manifestação de vontade ou consentimento, uma vez que a violência prolongada pode comprometer a percepção da realidade, a confiança, a tomada de decisões e a busca por proteção. Os dados analisados indicam que 17% das vítimas convivem com o agressor, 58% relatam violência há mais de um ano e os motivos para a não denúncia incluem preocupação com os filhos, descrença na punição e medo do agressor. Esses elementos dialogam com os processos de identificação com o agressor, desamparo aprendido e expectativa de mudança descritos na literatura. Conclui-se que a articulação entre psicologia do trauma, direitos humanos das mulheres e teoria feminista do direito pode contribuir para uma interpretação jurídica mais sensível às condições de vulnerabilidade das vítimas, fortalecendo a proteção de sua autonomia, dignidade e direitos fundamentais.

 

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Biografía del autor/a

Ana Paula dos Santos e Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Gabriela Andrade Fernandes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutora em Memória: Linguagem e Sociedade na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia). Coordenadora do grupo de Pesquisa em Estudos sobre mulheres e relações de gênero (GPEM/CNPq/Uesb). Tem experiência na área disciplinar de Direito, com ênfase em Direito Empresarial, e na área multidisciplinar de Memória, com ênfase em memória, discurso jurídico e direitos humanos.

Citas

FERENCZI, Sándor. Confusão de língua entre os adultos e a criança. São Paulo: Martins Fontes, 1992. (Original publicado em 1933).

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

HERMAN, Judith Lewis. Trauma and Recovery: The Aftermath of Violence – From Domestic Abuse to Political Terror. New York: Basic Books, 1992.

SENADO FEDERAL. DataSenado. Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher. Brasília,2025. Disponível em: https://www.senado.leg.br/institucional/datasenado/relatorio_online/pesquisa_violencia_domestica/2025/interativo.html. Acesso em: 05 jun 2026.

WALKER, Lenore E. A. The battered woman syndrome. 2. ed. New York: Springer Publishing Company, 2000.

Publicado

2026-11-04