AS POLÍTICAS CURRICULARES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA

Autores/as

Palabras clave:

Abordagens teórico-metodológicas, Educação infantil, Políticas curriculares

Resumen

O estudo apresenta um levantamento do estado da arte sobre as abordagens teórico-metodológicas presentes nas dissertações e teses brasileiras a respeito das políticas curriculares na Educação Infantil entre 2014 e 2024. O recorte temporal analisa um período marcado pela vigência do Plano Nacional de Educação e pela implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para construir o corpus de análise, realizou-se uma busca sistemática no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, resultando na seleção de 25 trabalhos acadêmicos de alta relevância, examinados sob a técnica de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. Os resultados revelaram uma pluralidade de matrizes teóricas e metodológicas. No campo teórico, destaca-se o uso do Ciclo de Políticas de Stephen Ball e colaboradores para analisar a BNCC e a tradução das normas nos contextos locais, acompanhado por reflexões pautadas na Teoria Crítica, no Pós-estruturalismo foucaultiano, na Teoria do Discurso e nos Estudos da Infância. Metodologicamente, predomina a abordagem qualitativa, que se divide entre a análise documental do currículo prescrito e o levantamento do currículo vivido por meio de entrevistas, questionários, narrativas docentes e grupos focais.

Apesar da consolidação desse campo acadêmico, o estudo aponta lacunas investigativas preocupantes. Constatou-se uma marcante desigualdade geográfica, com forte concentração das pesquisas nas regiões Sul e Sudeste, gerando a invisibilidade de contextos do Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Além disso, identificou-se uma escassez de abordagens etnográficas capazes de acompanhar a tradução prática das políticas nas rotinas escolares, uma baixa integração entre o debate curricular e a formação docente, e uma persistente invisibilização do atendimento a bebês e crianças de 0 a 3 anos nas creches, já que a maioria dos trabalhos foca na faixa de 4 e 5 anos. Conclui-se que, embora a produção científica sobre políticas curriculares para a Educação Infantil tenha se expandido no Brasil, permanece o desafio epistemológico e prático de superar a distância entre o plano normativo e a realidade vivida do cotidiano escolar, exigindo maior atenção às especificidades locais, à formação dos professores e às particularidades da primeira infância.

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Biografía del autor/a

Dilma Novais Viana Lima, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestre em Ensino pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGEn/UESB). Possui graduação em Licenciatura em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2023). Atualmente é Professora da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Tem experiência na área de História, com ênfase no Ensino de História, Aprendizagem Histórica e formação da Consciência Histórica.

Gardênia Pereira Rocha de Carvalho, Professora da rede municipal de Vitória da Conquista

Possui graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2008), possui Especialização em Educação Infantil pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2010). Atualmente é professora do Município de Vitória da Conquista (2017). Estudante do Programa de Pós- Graduação em Ensino - Mestrado PPGEN da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. (2024) 

Citas

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

FERREIRA, Norma Sandra de Almeida. As pesquisas denominadas "estado da arte". Educação & Sociedade, Campinas, v. 23, n. 79, p. 257–272, ago. 2002.

VARANDAS, Daniela Nascimento. Políticas Curriculares de Educação Infantil: um escrito sobre a Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil na rede municipal de ensino de Salvador. (Mestrado em Educação) - Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Educação, Salvador, 2022.

Publicado

2026-11-04