CURRÍCULO PRESCRITO E TERRITÓRIO VIVIDO: FORMAÇÃO DOCENTE E USO DE FONTES REGIONAIS NO ENSINO DE HISTÓRIA
Palabras clave:
Currículo prescrito, Formação docente, Fontes históricas, PerformatividadeResumen
O presente estudo analisa como a formação docente, mediada por políticas curriculares contemporâneas, condiciona as possibilidades de utilização pedagógica de fontes históricas regionais e a articulação entre currículo, memória e território vivido no ensino de História. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, de caráter crítico-analítico, vinculada a uma investigação de mestrado em andamento. A fundamentação teórica mobiliza contribuições de Bittencourt (2009), Ball (2005), Freitas (2014), Nóvoa (2012) e Rüsen (2016), enquanto a análise documental concentra-se na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os resultados preliminares evidenciam uma contradição entre a valorização curricular do trabalho com fontes históricas e as condições formativas, pedagógicas e institucionais necessárias à sua efetivação. Embora a BNCC proponha a análise de documentos e a articulação entre diferentes escalas históricas, sua prescrição não garante formação para a crítica documental, acesso a acervos, tempo de planejamento ou condições adequadas para a produção de materiais contextualizados. Identifica-se, ainda, que políticas orientadas pela performatividade, por competências e por avaliações padronizadas podem restringir a autonomia docente e reduzir as oportunidades de pesquisa sobre o território. Conclui-se que a incorporação de fontes regionais ao ensino de História exige a articulação entre conhecimento historiográfico, mediação didática, memória social e território, além de políticas de formação inicial e continuada e condições institucionais adequadas. Destaca-se, assim, a importância da aproximação entre escolas, universidades, arquivos e centros de memória para fortalecer práticas pedagógicas investigativas, contextualizadas e comprometidas com a valorização das experiências históricas das comunidades.
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Citas
BALL, Stephen J. Profissionalismo, gerencialismo e performatividade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 35, n. 126, p. 539–564, set./dez. 2005.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
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FREITAS, Luiz Carlos de. Os reformadores empresariais da educação e a disputa pelo controle do processo pedagógico na escola. Educação & Sociedade, Campinas, v. 33, n. 119, p. 379–404, abr./jun. 2014.
NÓVOA, António. Devolver a formação de professores aos professores. Cadernos de Pesquisa em Educação, Vitória, ES, v. 18, n. 35, p. 11–22, jan./jun. 2012.
RÜSEN, Jörn. A Função da Didática da História: a relação entre a Didática da História e a (meta) História. In: SCHMIDT, Maria Auxiliadora; MARTINS, Estevão de Rezende (org.). Jörn Rüsen: contribuições para uma teoria da didática da História. Curitiba: W. A. Editores, 2016. p. 13–26.
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