ABANDONO E NEGLIGÊNCIA A JUDICIALIZAÇÃO DE GARANTIAS CONSTITUCIONAIS VOLTADAS ÀS CRIANÇAS E ADOLESCENTES AUTISTAS

Autores/as

Palabras clave:

Negligência, Abandono, Autismo, Psicologia

Resumen

O presente estudo tem como objetivo analisar a negligência e o abandono de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), considerando os impactos dessas práticas no desenvolvimento infantil e os desafios à efetivação dos direitos fundamentais assegurados pelo ordenamento jurídico brasileiro. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, fundamentada em revisão bibliográfica realizada nas plataformas SciELO e Google Acadêmico, com contribuições teóricas da Psicologia e do Direito, especialmente de Bowlby (1995), Vigotski (2022) e Barroso (2007). A análise também contempla os dispositivos de proteção integral previstos na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e nas Leis nº 12.764/2012, nº 13.146/2015 e nº 13.977/2020. A discussão evidencia que a negligência familiar e a insuficiência de políticas públicas podem comprometer o acesso de crianças e adolescentes autistas aos cuidados, à saúde, à educação e à convivência familiar, ampliando situações de vulnerabilidade. Destaca-se, ainda, que a compreensão social da deficiência e as barreiras decorrentes do preconceito podem intensificar a exclusão e dificultar a efetivação dos direitos legalmente garantidos. Nesse contexto, a judicialização das políticas públicas apresenta-se como instrumento para reivindicar direitos não assegurados, embora também revele limitações na atuação estatal. Conclui-se que a proteção integral de crianças e adolescentes com TEA requer a articulação entre Estado, família e sociedade, mediante políticas públicas efetivas, apoio às famílias e atuação judicial estratégica, orientada à superação de barreiras e à garantia de direitos fundamentais.

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Biografía del autor/a

Luiz Pedro Chaves da Cunha, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

Bacharelando em Psicologia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Atuou como voluntário no Grupo de Estudos em Psicologia Analítica, estudando as obras junguianas e winnicottianas e associando-as com as psicopatologias atuais. Atualmente, participa no projeto de extensão da UESB intitulado de Núcleo da Defesa da Criança e do Adolescente (NDCA/UESB), onde realizou um simpósio que perpassa pelo direito do brincar pelas infâncias. Ademais, atua no núcleo fazendo orientações parentais.

Icaro Ferreira Freitas da Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Atualmente é estagiário - AAC ADVOGADOS ASSOCIADOS, estagiário - Procuradoria Geral do Município de Vitória da Conquista. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Civil, atuando principalmente nos seguintes temas: cidades inteligentes, casamento civil, periferias invisibilizadas, união homoafetiva e adoção. 

Ricardo Andrade Amaral, Universidade do Sudoeste da Bahia

Analista Universitário - Psicólogo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), atuando no Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (NDCA/UESB). Técnico de referência em serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes, vinculado à Proteção Social Especial de Alta Complexidade, na Secretaria de Desenvolvimento Social da prefeitura municipal de Vitória da Conquista-BA. Tem mestrado em Memória: Linguagem e Sociedade (2017) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É pós-graduado em Saúde Mental Coletiva (2012) pela Faculdade Ruy Barbosa e graduado em Psicologia (2009) pela mesma Faculdade. Foi professor substituto, durante dois anos, vinculado ao curso de Psicologia do Instituto Multidisciplinar em Saúde - IMS-CAT - da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Citas

AMARAL, Gustavo. Direito, escassez e escolha: em busca de critérios jurídicos para lidar com a escassez de recursos e as decisões trágicas. Rio de Janeiro: Renovar, 2001.

BOWLBY, John. Cuidados Maternos e Saúde Mental. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

BARROSO, Luís Roberto. Da falta de efetividade à judicialização excessiva: direito à saúde, fornecimento gratuito de medicamentos e parâmetros para a atuação judicial. Interesse Público, Belo Horizonte, v. 9, n. 46, nov./dez. 2007.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 22 abr. 2026.

JAURIS, Roberta Bolzan et al. Orientação sobre práticas parentais: para uma melhor relação entre crianças/adolescentes e seus cuidadores. Vitória da Conquista, BA: Edições UESB, 2023.

SPITZ, René A. O Primeiro Ano de Vida: Um estudo psicanalítico do desenvolvimento normal e anormal das relações objetais. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

VIGOTSKI, L. S. Obras escolhidas: fundamentos de defectologia. Vol. 5. Tradução de Priscila Marques. Cascavel: Edunioeste, 2022.

WINNICOTT, Donald W. O Ambiente e os Processos de Maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 1983.

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Publicado

2026-11-04