A MOBILIDADE DA FORÇA DE TRABALHO DOS TRABALHADORES DO DISTRITO DE LUCAIA, PLANALTO - BA E SUAS EXPRESSÕES ESPACIAIS
Palavras-chave:
Produção do espaço, Mobilidade da força de trabalho, Precarização, Construção civilResumo
O trabalho, resultado de pesquisa monográfica do curso de Licenciatura em Geografia (UESB), objetivou investigar as relações da mobilidade da força de trabalho com a produção espacial no distrito de Lucaia, Planalto-BA, buscando compreender como a venda da força de trabalho de moradores locais no setor da construção civil interfere no uso e na produção do espaço. Fundamentado no materialismo histórico-dialético e nos aportes teóricos de Gaudemar (1977) sobre mobilidade da força de trabalho, Perpétua (2013) sobre desigualdades espaciais, Lefebvre (2006) e Carlos (2011) sobre a produção social do espaço, e Almeida (2017) sobre precarização na construção civil, o estudo levantou dados primários por meio de questionários, conversas informais, observações diretas e registros fotográficos junto a trabalhadores da construção civil do distrito.
Os resultados evidenciam que os trabalhadores de Lucaia cumprem longas jornadas — 56% entre 6 e 8 horas diárias e 36% de 8 horas — sem remuneração pelo tempo de deslocamento, e que o trabalho apresenta significativa fragmentação de funções (40% pedreiros, 36% serventes, 8% armadores, 8% azulejistas e 8% mestres de obras), mecanismo que, segundo Almeida (2017), favorece a acumulação na construção civil às custas do empobrecimento do trabalhador. Constata-se, ainda, que a mobilidade diária desses trabalhadores em direção a Vitória da Conquista, polo regional, decorre menos de escolha e mais de uma estrutura socioeconômica desigual, marcada por instabilidade, informalidade e rotatividade. Conclui-se que essa mobilidade constitui elemento ativo na produção e transformação do espaço, revelando a contradição de trabalhadores que edificam as cidades, mas permanecem à margem delas, sem acesso à moradia digna nos espaços que ajudam a construir, ao mesmo tempo em que, ao retornarem ao distrito, movimentam o comércio e fortalecem as dinâmicas sociais e econômicas locais.
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Referências
ALMEIDA, M. C. C. Memória, trabalho e território: o processo de trabalho na construção civil na cidade de Vitória da Conquista – BA. Tese (Doutorado em Memória Linguagem e Sociedade), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA, 2017.
CARLOS, Ana Fani A. A Condição Espacial. São Paulo: Contexto, 2011.
GAUDEMAR, J. P. de. Mobilidade do trabalho e acumulação do capital. Lisboa: Estampa, 1977.
LEFÈBVRE, Henri. A produção do espaço. Trad.: Doralice Barros Pereira e Sérgio Martin. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
PERPÉTUA, G. M. Mobilidade espacial do capital e da força de trabalho: elementos para uma teorização geográfica a partir da matriz marxista. Revista Pegada Eletrônica, Presidente Prudente, v. 14, n. 1, Jul/2013, p. 58-79.
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