A TRAJETÓRIA DAS “DESAFORADAS” E DAS “DINOSSAURAS” DA METEMÁTICA: DISPUTAS E RESISTÊNCIAS SIMBÓLICAS DE PROFESSORAS EM FASE DE APOSENTADORIA
Palavras-chave:
Memória, Discurso, Poder, Resistência, Aposentadoria DocenteResumo
O trabalho, recorte de resultados parciais de uma tese em andamento, tem como objetivo analisar as disputas simbólicas que atravessam a tríade vida-formação-trabalho de professoras de Matemática da Educação Básica de uma rede pública do interior da Bahia, em fase de aposentadoria, valorizando a análise do discurso, da memória e do poder que envolvem a carreira docente. Fundamentada na abordagem qualitativa da História Oral Temática (Thompson, 1992) e na Análise do Discurso, com foco em "posições-sujeito" e "efeitos de sentido", a pesquisa reuniu, até o momento, depoimentos de três professoras e uma dirigente sindical, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UESB (CEP nº 7.891.285).
Os resultados evidenciam que o processo de trabalho docente deixou marcas físicas e emocionais nas professoras, associadas a décadas de salas superlotadas e infraestrutura precária, e revelam que a transição para a aposentadoria constitui um período de violência simbólica, exemplificado pela longa espera no Instituto de Previdência de Jequié (IPREJ), descrita por uma das entrevistadas como um "presídio". Observa-se, ainda, a supressão de direitos adquiridos, como a gratificação de Regência, e o papel da Associação dos/as Professores/as Licenciados/as do Brasil (APLB) como instância de resistência coletiva, capaz de ressignificar rótulos pejorativos atribuídos às professoras em símbolos de luta política. Conclui-se que as memórias analisadas constituem materialidades discursivas que denunciam a violência do presente, sendo o ato de lembrar compreendido como gesto político de resistência contra o apagamento institucional, apontando-se a urgência de políticas públicas que enfrentem, para além de reformas estéticas, o respeito aos direitos previdenciários dessas profissionais.
Downloads
Referências
GATTI, Bernadete Angelina; et al. Atratividade da carreira docente no Brasil. Fundação Carlos Chagas. São Paulo, 2009. Relatório de pesquisa. Disponível em: https://share.google/pmVVYkAihst2AcGvH. Acesso em: 05 outubro. 2024.
JEQUIÉ. Lei nº 1.613/2004. Plano de Cargos e Remuneração do Magistério. Jequié: Câmara Municipal, 2004.
MEIHY, J. C. S. B.; SEAWRIGHT, L. Memórias e narrativas: história oral aplicada. São Paulo: Contexto, 2020.
NÓVOA, A. (Org.). Vidas de professores. 2. ed. Porto: Porto Editora, 2000.
SOUZA, Maria Celeste R. F; FONSECA, Maria da Conceição F. R. Relações de gênero, educação matemática e discurso: enunciados sobre mulheres, homens e matemática. 2.ed. Belo Horizonte, MG. Autêntica Editora, 2024.
TARDIF, M. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência. Petrópolis: Vozes, 2013.
THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Colóquio Nacional e Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da UESB

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.