A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO CAMPO NA NOVA (DES)ORDEM GLOBAL: DISPUTAS ENTRE O RURALISMO PEDAGÓGICO E A EDUCAÇÃO DO CAMPO

Autores

Resumo

A formação de professores expressa disputas por diferentes projetos de sociedade. Na nova (des)ordem global, as políticas neoliberais intensificam o controle docente via padronização curricular e avaliações em larga escala. Este trabalho analisa as concepções de formação de professores no Ruralismo Pedagógico e as confronta com os princípios da Educação do Campo. A metodologia qualitativa consistiu em revisão bibliográfica e documental de obras de Sud Mennucci (1930) e de autores como Maia (1982), Caldart (2002) e Fernandes (2006). Os resultados indicam que o Ruralismo Pedagógico, sob o Paradigma do Capitalismo Agrário (PCA), instrumentalizava a docência para o disciplinamento social e a contenção do êxodo rural, subordinando-se aos interesses das elites agrárias. Em contraposição, a Educação do Campo, oriunda das lutas dos movimentos sociais (como o MST), fundamenta-se no Paradigma da Questão Agrária (PQA) e propõe uma formação docente crítica, emancipatória e voltada à valorização da cultura e saberes camponeses. A análise revela que a racionalidade ruralista se aproxima das políticas neoliberais contemporâneas, pois ambas reduzem a educação às demandas do capital. Conclui-se que a Educação do Campo atua como alternativa contra-hegemônica essencial para preservar a autonomia docente, promover a justiça social e reafirmar a educação como direito humano e instrumento de transformação social.

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Biografia do Autor

Camila Timpani Ramal, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Bahia

Graduada em Pedagogia e Especialista em Planejamento e Gestão de Organizações Educacionais pela UNESP- Araraquara e em Psicopedagogia pela UNIGRAD - Vitória da Conquista. Mestre em Fundamentos da Educação, pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR. Doutora em Educação Escolar pela UNESP - Araraquara. Docente do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Bahia- IFBA, campus de Vitória da Conquista.

Anely Silva Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pesquisadora e membro do NEFOP / UESB (Núcleo de Estudos, Pesquisa e Formação de Professores), Pedagoga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA Campus de Vitória da Conquista.

Referências

CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. Petrópolis: Vozes, 2002.

FERNANDES, Bernardo Mançano. Os campos da pesquisa em educação do campo: espaço e território como categorias essenciais. In: MOLINA, Mônica Castagna (org.). Educação do Campo e Pesquisa. Brasília: MDA, 2006.

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Publicado

2026-11-04