A (NÃO) COLOCAÇÃO DA VÍRGULA NOS TEXTOS DO ENSINO SUPERIOR À LUZ DA FONOLOGIA PROSÓDICA

Autores

Palavras-chave:

Fonologia Prosódica, Vírgula, Escrita, Ensino superior

Resumo

O trabalho tem como objetivo descrever e analisar como ocorre a colocação e a não colocação da vírgula em textos do ensino superior, partindo da hipótese de que motivações prosódicas subjazem às inadequações realizadas pelos estudantes em relação às normas gramaticais. As análises sintáticas fundamentam-se na Nova Gramática do Português Contemporâneo (2017), de Cunha e Cintra, enquanto as análises prosódicas ancoram-se na Fonologia Prosódica de Nespor e Vogel (2007), em diálogo com Pacheco (2006), Baldow, Santos e Pacheco (2020) e Tenani e Paiva (2020). Metodologicamente, foram analisados 20 exemplares de um corpus de 59 textos produzidos por estudantes dos cursos de licenciatura em Geografia e Pedagogia de uma universidade pública do interior da Bahia, selecionados por apresentarem maior número de desvios de pontuação, os quais foram investigados quanto às motivações prosódicas subjacentes com base no algoritmo de constituição prosódica hierárquica.

Os resultados identificaram 43 desvios relacionados ao uso da vírgula, sendo 58,3% correspondentes à ausência da vírgula para isolar elementos adverbiais ou conectivos deslocados — explicada pelo fato de tais elementos constituírem palavras prosódicas sem força entoacional suficiente para sinalizar a necessidade de isolamento — e 38,8% correspondentes ao uso da vírgula entre termos com relação sintática direta, empregada para reestruturar sintagmas entoacionais motivados por questões sonoras intuitivas. Conclui-se que os usos inadequados da vírgula não decorrem de mero desconhecimento das normas sintáticas, mas de regularidades prosódicas projetadas na escrita, reforçando a importância de considerar a dimensão fonológica no ensino da pontuação e a urgência de intervenções pedagógicas mais significativas, sobretudo por tratar-se de desvios identificados no ensino superior.

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Biografia do Autor

Maria Eduarda Cruz Macêdo Pires, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Desenvolve pesquisa em Linguística, com ênfase em Fonética e Fonologia, por meio de iniciação científica voltada à investigação de fenômenos linguísticos relacionados à prosódia, à variação e à escrita. Integra o Laboratório de Pesquisa e Estudos em Fonética e Fonologia (LAPEFF) da UESB. Atuou como monitora acadêmica das disciplinas Modelos de Análise Fonológica e Fonética e Fonologia, contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem e para o acompanhamento das atividades discentes. Possui interesse em Fonologia, Fonética, Linguística Aplicada e Ensino de Língua Portuguesa.

Flávia Camata de Oliveira Malaguth , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós Graduação em Linguística (PPGlin), pela UESB- BA. Mestre em Letras, pelo PROFLETRAS, na UESB - BA (2023). Fez graduação em Letras Português e Inglês e respectivas Literaturas, no Centro Universitário de Leste de Minas Gerais - UNILESTE-MG (2005). Atualmente é professora de Língua Portuguesa da Educação Básica na rede pública do estado de Minas Gerais, na Escola Estadual Alphonsus de Guimaraens, efetiva em 02 (dois) cargos e ministra aulas para o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, com foco em fonética e fonologia.

Vera Pacheco, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui graduação em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2001), graduação em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (2002), Bacharelado Em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (2002), mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (2003), doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2006) e pósdoutorado pela Universidade Paulista ''Júlio de Mesquita Filho''/Araraquara. Atualmente é professor pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: análise acústica, percepção da fala, prosódia, teorias fonológicas e alfabetização e leitura.

Referências

BALDOW, V. M. F. S. De que vírgula estamos falando? Análise do emprego não convencionalizado de vírgulas à luz da fonologia prosódica e da prosódia implícita. Orientadora: Vera Pacheco. 2023. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2023.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2017.

PACHECO, V. O efeito dos estímulos auditivo e visual na percepção dos marcadores prosódicos lexicais e gráficos usados na escrita do português brasileiro. Orientador: Luiz Carlos Cagliari. 2006. 348f. Tese (Doutorado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.

TENANI, L.; PAIVA, N. Vírgulas em esquema duplo em textos argumentativos: aspectos sintáticos e prosódicos. Veredas, v. 24, n. 3, p. 294-321, 2020. Disponível em: https://share.google/Z1OuHBExjKMWpNfir. Acesso em: 01 mai. 2026.

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Publicado

2026-11-04