A MILITARIZAÇÃO ESCOLAR NO SUDOESTE DA BAHIA: REFLEXÕES SOBRE VULNERABILIDADE SOCIAL, JUVENTUDES E DISCURSOS DE SEGURANÇA
Palavras-chave:
Militarização escolar, Juventude, Vulnerabilidade social, Segurança pública, Sudoeste da BahiaResumo
A militarização das escolas públicas brasileiras constitui um fenômeno que vem se expandindo nas últimas décadas, especialmente em contextos marcados pelo crescimento dos discursos sobre violência, insegurança e vulnerabilidade social. No estado da Bahia, a implantação dos Colégios da Polícia Militar (CPM) e, sobretudo, a adoção do modelo de gestão compartilhada entre a Polícia Militar da Bahia (PMBA) e as escolas públicas municipais têm sido apresentadas como estratégias capazes de promover disciplina, melhoria do desempenho escolar e redução de conflitos no ambiente educativo. Tal justificativa parte da premissa de que a ampliação de mecanismos de controle e disciplinamento no espaço escolar contribuiria para enfrentar problemas associados à violência e à vulnerabilidade juvenil.
Entretanto, essa relação não se apresenta de forma evidente. Os dados do Atlas da Violência (2024, 2025) revelam que a Bahia figura entre os estados com maiores taxas de homicídio juvenil do país, evidenciando a gravidade das desigualdades que atingem as juventudes. Ao mesmo tempo, tais indicadores sugerem que as situações de violência que afetam crianças e adolescentes estão vinculadas a processos sociais mais amplos, relacionados às desigualdades econômicas, raciais e territoriais, cujas determinações extrapolam os limites da escola. Nesse sentido, torna-se pertinente questionar em que medida a militarização de escolas — particularmente por meio da gestão compartilhada — constitui uma resposta efetiva para enfrentar problemas cuja origem se encontra para além do ambiente educativo.
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Referências
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Dissertação de Mestrado – Programa de Pós-graduação em Memória: Linguagem e Sociedade – PPGMLS, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2026.
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