ENTRE A EXPRESSÃO E A MERCADORIA: MÚSICA, DESIGUALDADES E INDÚSTRIA CULTURAL NO BRASIL
Palavras-chave:
Música popular brasileira, Indústria cultural, Desigualdades sociais, Resistência culturalResumo
O trabalho analisa a música popular brasileira como manifestação cultural capaz de elaborar experiências sociais, produzir memórias e expressar formas de crítica e resistência diante das desigualdades que marcam a formação histórica do país. A pesquisa, de caráter qualitativo e fundamentada na perspectiva da etnomusicologia, examina as canções “Índios”, “Nos Barracos da Cidade”, “14 de Maio” e “Cota Não é Esmola”, considerando seus contextos históricos e sociais e dialogando com autores como Darcy Ribeiro, Clóvis Moura, Frantz Fanon e César Bolaño. A análise evidencia como as obras abordam processos de colonização, racismo, exclusão urbana e desigualdade educacional, transformando experiências históricas de marginalização em narrativas de crítica social.
Os resultados também apontam para a condição contraditória da música no capitalismo contemporâneo: embora constitua espaço de resistência, produção de identidades e elaboração de experiências coletivas, sua produção e circulação estão inseridas na indústria cultural e submetidas a mecanismos de mercado. As plataformas digitais ampliam as possibilidades de circulação, mas também estabelecem novas formas de hierarquização da visibilidade. Conclui-se que a música popular brasileira constitui um campo de disputa entre mercantilização e resistência, permitindo compreender tanto as desigualdades estruturais da sociedade quanto as possibilidades de produção de sentidos e enfrentamento por meio da cultura.
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Referências
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