O AVANÇO NEOPENTECOSTAL NA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA E POSSÍVEIS IMPACTOS NO ENSINO DE CIÊNCIAS

Autores

Palavras-chave:

Conservadorismo, Ensino de ciências, Neopentecostalismo

Resumo

O trabalho, recorte e aprofundamento da dissertação de Costa (2021), tem por objetivo apresentar evidências do avanço neopentecostal nas escolas brasileiras, examinando como grupos religiosos conservadores têm influenciado políticas curriculares e disputas pela legitimação de conhecimentos escolares, com foco especial no ensino de Ciências. Fundamentado na abordagem do ciclo de políticas de Bowe, Ball e Gold (2017) e no entendimento do currículo como campo de disputa social proposto por Goodson (1997), o estudo realiza análise documental e bibliográfica de reportagens sobre Projetos de Lei recentemente aprovados em municípios brasileiros que autorizam o uso da Bíblia como material paradidático nas escolas públicas (Brasil, 2025a; 2025b), articulando essa discussão a iniciativas legislativas anteriores voltadas à inserção do criacionismo nos currículos, como os PLs nº 8099/2014 e nº 5336/2016.

Os resultados evidenciam que a institucionalização da Bíblia como material paradidático, ainda que apresentada por seus defensores como recurso cultural ou literário, tensiona o princípio constitucional da laicidade do Estado (Brasil, 1988) e os fundamentos epistemológicos do ensino de Ciências, ao abrir espaço para que crenças religiosas sejam percebidas como explicações equivalentes ou superiores às construídas cientificamente, especialmente em temas como origem da vida e evolução biológica. Discute-se, sob a perspectiva do ciclo de políticas, que tais disputas, travadas nos contextos de influência e produção de texto curricular, repercutem posteriormente no contexto da prática escolar por meio de legislações complementares e materiais didáticos. Conclui-se que a aprovação dessas leis integra um movimento mais amplo de fortalecimento de grupos conservadores e neopentecostais na educação brasileira, com efeitos sobre a laicidade estatal, a autonomia docente e a legitimação dos conhecimentos escolares, sendo fundamental preservar a distinção entre diferentes formas de conhecimento para a formação crítica dos estudantes e a consolidação de uma educação democrática e plural.

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Biografia do Autor

Jéssica Gomes das Mercês Costa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Professora Assistente do Departamento de Ciências Exatas e Naturais (DCEN) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (FEUFF) na linha de pesquisa Ciência, Cultura e Educação (CCE), realizou o doutorado Sanduíche na Universidade de Lisboa, Portugal. Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2016), em sua monografia realizou um estudo na área de carcinologia analisando a fecundidade de ermitões (Calcinus tibicen). Especialista em Gênero e Sexualidade na Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), na qual desenvolveu um modelo didático em forma de jogo de tabuleiro para discutir tais temáticas com alunos do Ensino Médio, o jogo foi desenvolvido para propor a inclusão de estudantes com deficiência visual. Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Educação/PPGED da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), no qual desenvolveu a pesquisa ''Os Contextos de Influência e Produção da Base Nacional Comum Curricular: um enfoque na disciplina escolar Ciências''. Na área de educação e ensino de Ciências possui trabalhos relacionados à elaboração de modelos didáticos, questões de gênero e sexualidade e, principalmente, currículo e políticas educacionais.

Marianna Elizena Versiani de Paula, Universidade Federal de Ouro Preto

Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências (MPEC) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com pesquisa focada na dissertação ''ENSINO DE EVOLUÇÃO BIOLÓGICA NO INÍCIO DO SÉCULO XXI: um estudo comparado entre Brasil e Cuba''. Com linhas de investigação que envolvem o ensino de Evolução Biológica, currículo, formação docente, laicidade e as implicações políticas e sociais na educação. Atualmente, integra como voluntária o Laboratório de Investigações em Narrativas, Currículos e Educação (LINCE) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) Ibirité, o Grupo de Estudos e Pesquisa sobre os Impactos do Conservadorismo na Educação Brasileira (GEPCEB) e o Observatório da Laicidade na Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Referências

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Publicado

2026-11-04