A MILITARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NA BAHIA E OS DESAFIOS À GESTÃO DEMOCRÁTICA

Autores

Palavras-chave:

Militarização da educação, Gestão compartilhada, Políticas educacionais, Sociedade de controle

Resumo

O trabalho analisa o processo de militarização das escolas públicas na Bahia, buscando mapear a expansão da gestão compartilhada com militares, identificar os discursos que legitimam esse modelo e discutir suas implicações pedagógicas e democráticas para a formação cidadã dos estudantes, questionando como as particularidades socioeconômicas e políticas do estado moldaram essa implementação. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, orientada por abordagem crítico-analítica (Gil, 2008), estruturada em três eixos: revisão bibliográfica a partir de Brito e Rezende (2019), fundamentada nos conceitos de sociedades disciplinares (Foucault) e sociedades de controle (Deleuze); análise de documentos como o Decreto nº 10.004/2019, que instituiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), e o convênio entre a Polícia Militar da Bahia e a União dos Municípios da Bahia; e exame de estudos de caso sobre a expansão do modelo no interior baiano, com destaque para Belo Campo, Vitória da Conquista e Santa Cruz Cabrália.

Os resultados evidenciam que a militarização das escolas públicas na Bahia ganhou impulso a partir de 2018, intensificando-se no contexto político nacional pós-2016 e durante o governo Bolsonaro, sendo frequentemente legitimada por discursos que associam a gestão militar ao combate à violência e à indisciplina — como observado na adesão da Escola Municipal Professora Maria da Conceição Meira Barros, em Vitória da Conquista, e na experiência de Belo Campo, onde alunos deixaram a instituição por não se adaptarem às exigências disciplinares do novo modelo. Conclui-se que a promessa de restauração da "ordem" e da "segurança" exerce forte apelo social em comunidades vulnerabilizadas, mas que a transferência da gestão escolar para corporações de segurança pública introduz uma nova racionalidade política de controle que confronta princípios constitucionais como a liberdade de ensinar e aprender e as diretrizes de gestão democrática da LDB, instituindo uma lógica verticalizada de vigilância que tende a limitar a pluralidade e a expressão das identidades juvenis.

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Biografia do Autor

Keila Caitité de Jesus, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Estudante de licenciatura em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Possui interesse nas áreas de História do Brasil e em História Regional, com ênfase em relações pós-abolição. 

Igor da Silva Sousa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Estudante de licenciatura em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Possui interesse nas áreas de História do Brasil com ênfase em História Regional 

Marcos Oliveira de Queiroz, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), atuando na área de Ensino de História: teoria e metodologia. Doutor em História pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Assis, SP. Mestre em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Especialista em Educação, Cultura e Linguagens pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus de Eunápolis, BA. Licenciado em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus XVIII, Eunápolis, BA. Coordenador do Grupo de Pesquisa e Estudo das Religiões Elizete da Silva (GPERES-UESB) e integrante do Centro de Pesquisas da Religião (CPR-UEFS). Integra também o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino de História (LAPEH-UESB). Entre 2022 e 2025, atuou como Técnico Pedagógico na Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro (SEDUC), coordenando os Projetos Político-Pedagógicos da Rede Pública Municipal de Ensino. Desenvolve pesquisas no campo da História das Religiões, com ênfase nas relações entre religião e política, pentecostalismo e esfera pública, e evangélicos e mídia. No campo do Ensino de História, desenvolve estudos e pesquisas sobre História das Religiões na Educação Básica, Ensino Religioso, História do Ensino de História, laicidade e ensino público.

Referências

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Publicado

2026-11-04