DO JURAMENTO À INTERPRETAÇÃO UMA ANÁLISE FUNCIONALISTA DOS USOS DE “JURO” EM REDES SOCIAIS

Autores

Palavras-chave:

Juro, Jurar, Linguística Funcional, Redes Sociais

Resumo

A pesquisa investiga os usos do verbo jurar e da forma juro no Português Brasileiro (PB), à luz dos pressupostos do Funcionalismo Linguístico de vertente norte-americana, que compreende a língua como um sistema dinâmico constituído a partir das necessidades comunicativas e dos contextos reais de uso. O estudo desenvolveu-se em duas etapas: inicialmente, realizou-se pesquisa bibliográfica em dicionários da língua portuguesa, e, posteriormente, foram coletadas e analisadas 26 ocorrências do item jurar/juro na rede social X, nos meses de maio e junho de 2026. A análise permitiu identificar seis sentidos associados ao item, dos quais quatro foram selecionados para discussão: promessa; afirmação e reforço da afirmação; atribuição de superioridade; e atuação como marcador discursivo. Os resultados evidenciam que, embora o sentido prototípico de jurar esteja relacionado à promessa ou ao compromisso com a veracidade de uma declaração, o item assume, em contextos contemporâneos de interação, funções avaliativas, irônicas, argumentativas e discursivo-pragmáticas. Entre essas funções, destacam-se o reforço da credibilidade de uma afirmação, a expressão de avaliações sobre atitudes consideradas pretensiosas e a atuação como marcador discursivo na manifestação de surpresa, interesse, confirmação e feedback. Os dados corroboram, assim, a concepção funcionalista de que os significados linguísticos são construídos e modificados nas situações concretas de interação, evidenciando o caráter dinâmico da gramática e a importância da análise da língua em uso para a compreensão das práticas linguísticas e para a aproximação entre o português efetivamente utilizado pelos falantes e o ensino de língua portuguesa.

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Biografia do Autor

Evelin Nogueira Oliveira Gomes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Licenciatura em Letras Modernas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). 

Zirleide Batista Souza, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

Graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Suodeste da Bahia. 

Maria Aparecida de Souza Guimarães, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1993), Especialista em Alfabetização pela Universidade Federal da Paraíba (1995), Mestra em Linguística (Sociolinguística) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2014) e Doutora em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É professora Assistente da Universidade do Estado da Bahia. Tem experiência em Linguística, com ênfase em Sociolinguística e Sócio-história, desenvolve ações de incentivo a práticas permanentes de leitura no Comitê PROLER/UNEB/BRUMADO, coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Alfabetização, Leitura e Literatura LEPALL e participa de Grupos de Pesquisa em Linguística Histórica e Sociofuncionalismo (JANUS/UESB) - CNPq e Linguagens e Educação: Alfabetização, Leitura, Linguística e Literatura (LEALLL /UNEB) e do GRUPA - Grupo de Estudos de Alfabetização (UNESP).

Referências

AULETE, Caldas. Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete. 2. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2011.

CUNHA, Maria Angélica Furtado da; OLIVEIRA, Mariangela Rios de; MARTELOTTA, Mário Eduardo. Linguística funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

DANTAS, Igor Araújo. Marcadores discursivos de base verbal olhar e ver : uma abordagem funcionalista centrada no uso e reflexões para o ensino. Orientadora: Drª Valéria Viana. Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Linguística) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Vitória da Conquista, 2024.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 4. ed. Curitiba: Positivo, 2009.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

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Publicado

2026-11-04