ENTRE GENERALIDADES E PARTICULARIDADES: OS DESAPARECIDOS POLÍTICOS DA GUERRILHA DO ARAGUAIA E O CASO DINAELZA COQUEIRO
Palavras-chave:
Desaparecimento forçado, Ditadura militar, Guerrilha do Araguaia, Dinaelza Coqueiro, Memória socialResumo
A pesquisa analisa a categoria dos desaparecidos políticos no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985), situando, nesse universo, o caso de Dinaelza Coqueiro, combatente da Guerrilha do Araguaia, a partir da memória construída ao longo de mais de cinquenta anos e da luta de seus familiares pela localização de seu corpo. Fundamentado na relação dialética entre particularidade e totalidade histórica (GOLDMANN, 1967), o estudo articula análise documental e bibliográfica, fontes oficiais e privadas, registros iconográficos e fontes orais, além do tratamento estatístico de dados sobre os desaparecidos políticos brasileiros e os combatentes da Guerrilha do Araguaia, com base, entre outras fontes, nos relatórios da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Os resultados indicam que, dos 434 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade, 243 foram vítimas de desaparecimento forçado, sendo que mais de 60% dos casos ocorreram entre 1972 e 1974, período marcado pela repressão à Guerrilha do Araguaia. Verificou-se que a maioria das vítimas era composta por jovens adultos, predominantemente homens, vinculados a movimentos estudantis e organizações políticas de oposição, enquanto, entre os combatentes da Guerrilha do Araguaia, aproximadamente 72% eram oriundos das classes médias urbanas, os estudantes constituíam o principal grupo ocupacional e quase 90% dos desaparecidos tinham menos de quarenta anos. A trajetória de Dinaelza Coqueiro, jovem estudante universitária, militante estudantil e integrante do PCdoB, apresenta características recorrentes entre os combatentes desaparecidos, permitindo relacionar sua experiência particular às determinações históricas mais amplas da repressão estatal. A análise evidencia ainda que o desaparecimento forçado ultrapassa a eliminação física da vítima, mantendo-se como violação de direitos humanos enquanto seus restos mortais não forem localizados e identificados e produzindo efeitos permanentes sobre familiares e sociedade. Conclui-se que o estudo dos desaparecimentos políticos permanece fundamental para a construção da memória, da verdade e da justiça, para a compreensão crítica da história recente brasileira e para a não repetição das violações de direitos humanos.
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Referências
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PADRE, Gilneide de Oliveira. Do corpo insepulto à luta por memória, verdade e justiça. Curitiba: CRV, 2020.
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