ENTRE SILENCIAMENTOS E RESISTÊNCIAS: NARRATIVAS DE MEMÓRIA NAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA

Autores

Palavras-chave:

História oral, Quilombo, Ancestralidade, Resistência

Resumo

A pesquisa analisa as narrativas de memória produzidas nas comunidades quilombolas Ribeirão dos Paneleiros e Lagoa de Melquíades e Amâncio, localizadas em Vitória da Conquista-BA, buscando compreender como os moradores constroem sentidos sobre ancestralidade, território e resistência. De natureza qualitativa, histórica e social, o estudo fundamenta-se na História Oral e em pesquisa de campo, articulando entrevistas semiestruturadas com moradores e lideranças comunitárias, documentos históricos, registros institucionais, fotografias, arquivos pessoais e materiais produzidos pelas próprias comunidades, em diálogo com as contribuições de Halbwachs (1990), Pollak (1989), Portelli (1997), Alberti (2005) e Ricoeur (2007). A análise compreende as narrativas como produções construídas no presente, nas quais memórias familiares, experiências coletivas e práticas culturais constituem formas de preservação e transmissão de saberes. Os resultados foram organizados em três categorias interpretativas: memória-enquadramento, relacionada à pouca visibilidade das experiências quilombolas nos registros oficiais e às disputas sobre aquilo que é lembrado e reconhecido; memória-denúncia, associada aos relatos de desigualdades, conflitos territoriais, dificuldades de reconhecimento e acesso a direitos; e memória-território, que compreende a relação com a terra, a ancestralidade e as práticas culturais como elementos de pertencimento, continuidade histórica e produção identitária. A análise evidencia que, apesar dos processos de silenciamento histórico, as memórias quilombolas permanecem vivas por meio da oralidade e das práticas comunitárias, constituindo formas de resistência e afirmação identitária. A “Jurema Preta” emerge como referência simbólica dessa relação entre ancestralidade, permanência e resistência. Conclui-se que as narrativas orais constituem formas legítimas de produção histórica e evidenciam que as memórias quilombolas não são apenas registros do passado, mas práticas vivas de preservação da ancestralidade, fortalecimento dos vínculos comunitários e luta por reconhecimento, contribuindo para ampliar a compreensão da formação histórica de Vitória da Conquista.

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Biografia do Autor

Jonatan dos Santos Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Possui Licenciatura Plena em Educação Física na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB (2008). Doutor (2023) e Mestre (2018) pelo Programa de Pós-graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da UESB, do Projeto de pesquisa: Memória Cultura e Educação e da Linha de pesquisa: Memória, Cultura e Cidade. Especialista em Etnicidades, Educação e (De) Colonialidades, na UESB (2023). Atualmente é Professor Adjunto no Departamento de Saúde I, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB - Jequié), atuando como docente no curso de licenciatura em Educação Física e no Programa de Pós-graduação em Rede Nacional do Mestrado Profissional em Educação Física da UNESP, campus da UESB. Contramestre de capoeira do Movimento Cultural Consciência Negra. É Professor regente na Rede Estadual de ensino público da Bahia, em Vitória da Conquista. Vencedor do concurso nacional de monografias sobre a cultura afro-brasileira realizado pelo ministério da cultura em 2010. Tem experiência em Educação Física, com ênfase nos conhecimentos da Cultura corporal: Dança, Lutas, Jogos, Esporte e Capoeira, investigando principalmente os seguintes temas: Capoeira, Cidade, Comunidades Tradicionais, História e Memória; Lazer; Corpo e Oralidade. É líder do grupo de pesquisa ''CORPORHIS: Corpo, história e cultura'', CNPQ.

Felipe Eduardo Ferreira Marta, Universidade Estadual de Santa Cruz

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2001), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004) e doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009). Estágio de pós-doutorado na Virginia Tech (USA) (2015-2016). Estágio de pós-doutorado na University of Nebraska Medical Canter-UNMC (USA) (2022-2023). Atualmente é professor pleno da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), atuando no curso de Educação Física e professor do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Memória: linguagem e sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGMLS-UESB).

Referências

ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

PORTELLI, Alessandro. O que faz a história oral diferente. Projeto História, São Paulo, n. 14, p. 25-39, 1997.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Unicamp, 2007.

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Publicado

2026-11-04