A FOTOGRAFIA COMO CULTURA MATERIAL ESCOLAR: UM ESTUDO SOBRE O ACERVO DO GRUPO ESCOLAR BARÃO DE MACAÚBAS EM ILHÉUS/BA (1968-2000)

Autores

Palavras-chave:

História da educação, Cultura material escolar, Grupo escolar, Fotografias

Resumo

A pesquisa analisa aspectos da cultura material escolar do Grupo Escolar Barão de Macaúbas, em Ilhéus-BA, entre 1968 e aproximadamente 2000, constituindo um recorte de investigação em andamento no âmbito do Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Santa Cruz (PPGE/UESC). Inserido no campo da História da Educação e fundamentado nos conceitos de Cultura Escolar (Julia, 2001) e Forma Escolar (Vincent, Lahire e Thin, 2001), o estudo dialoga com as contribuições de Chartier (1990), Alves (2012), Vidal (2006), Souza e Faria Filho (2006), Frago e Escolano (2001), Paulilo (2019) e Foucault (1987), buscando compreender as relações entre a materialidade da instituição, suas práticas escolares e os contextos históricos em que foram produzidas. De natureza documental, a pesquisa utiliza como fontes 130 fotografias preservadas no acervo da escola, ainda em funcionamento, analisadas por meio do conceito de Representações, de Chartier (1990), e do Paradigma Indiciário, de Ginzburg (1989). Os resultados evidenciam que a cultura material da instituição permite identificar permanências e transformações na Cultura Escolar, expressas na arquitetura, nos espaços, nas práticas, nos sujeitos e nos objetos representados, como carteiras escolares, quadro negro, telefone público, televisores, projetores, ornamentações festivas e diferentes atividades escolares. As fotografias também revelam práticas de capoeira com participação de meninos e meninas e atividades de balé marcadas pela participação de meninas e pela presença de meninos como espectadores, além da predominância de crianças negras em diferentes temporalidades, especialmente nas imagens aproximadas dos anos 2000. A arquitetura, caracterizada por pé-direito alto, janelas alongadas, corredores e vista para o mar, evidencia elementos associados ao projeto moderno, higiênico e organizado de escolarização dos grupos escolares. A análise aponta, ainda, a relevância da preservação do acervo documental da instituição e da memória escolar como patrimônio educativo e direito da comunidade. Por se tratar de estudo em construção, permanecem questões acerca dos sentidos atribuídos às fotografias e de suas relações com a Cultura Escolar, a Memória Escolar e o Patrimônio Educativo. Espera-se, portanto, contribuir para a ampliação da historiografia da educação e das cartografias escolares da História da Educação na Bahia e no Brasil.

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Biografia do Autor

Letícia André, Universidade Estadual de Santa Cruz

Mestranda na Linha 2 (Políticas, Culturas e Educação Democrática) do Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado Profissional em Educação) - PPGE/UESC. Bolsista FAPESB. Graduada na Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC. Atua como pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Política e História da Educação - GRUPPHED/UESC. É membro integrante Projeto de Pesquisa HISTÓRIAS DOCUMENTADAS: acervos escolares, memórias e patrimônios educativos (UESC), do Grupo de Pesquisa PORTAL DO BICENTENÁRIO - CNPq e do Projeto de Extensão PORTAL DO BICENTENÁRIO: 200 anos de escolas públicas no Brasil - PROEX/UESC. Desenvolveu atividades como bolsista do Projeto de Iniciação à Docência ''Memórias e Formação de professores/as: diálogos entre empiria, teoria e práticas pedagógicas'' (2022). Entre 2023 e 2025, atuou como bolsista do Projeto de Ensino ''Documentar a própria vida: História, memória e formação de professores/as''. Trabalhou na direção e produção do documentário ''Entrelaços de Memória'', resultado do Projeto de ensino supracitado, e atualmente dirige e produz o segundo documentário, produto do segundo ano de vigência do Projeto. Desenvolve pesquisas na área da História da Educação investigando os debates sobre o surgimento do Grupo Escolar de Ilhéus-BA, inaugurado em 1915 e o Grupo Escolar Barão de Macaúbas, inaugurado em 1925; Patrimônio Educativo e Acervos escolares e da Educação.

Marcelo Gomes Silva, Universidade Estadual de Santa Cruz (DCIE/UESC)

Doutor em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF- 2018). Professor Adjunto da Universidade Estadual de Santa Cruz-(UESC) / Ilhéus - BA, pelo Departamento de Ciências da Educação/ DCIE. Professor do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado Profissional em Educação - PPGE/UESC. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Política e História da Educação-GRUPPHED. Diretor do Departamento de Ciências da Educação-DCIE/UESC.

Referências

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Publicado

2026-11-04