A ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONCEPÇÃO E PRÁTICA DOCENTE

Autores

Palavras-chave:

Pedagogia histórico-crítica, Psicologia Histórico-Cultural, Prática pedagógica, Educação infantil, Formação docente

Resumo

A presente pesquisa tem como objetivo compreender a relação entre a concepção teórica de professores sobre a rotina e sua materialização na prática pedagógica na Educação Infantil, sob a perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. Trata-se de um estudo qualitativo, orientado pelo método materialista histórico e dialético, que busca analisar a relação entre a concepção teórica de professores sobre a rotina e sua aplicação na prática pedagógica da Educação Infantil; sinalizar o processo histórico  e estrutural da Educação Infantil no Brasil; identificar a construção histórica da rotina na Educação Infantil; discutir  a rotina na Educação Infantil tendo como base os fundamentos da Psicologia Histórico-Cultural; analisar as concepções dos professores acerca da rotina nas práticas pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil. O estudo teve início com o levantamento de produções acadêmicas relacionadas ao tema e uma investigação sobre o percurso histórico da Educação Infantil, com o propósito de compreender quando e como o conceito de rotina passou a integrar o vocabulário pedagógico dessa etapa.  A pesquisa empírica foi desenvolvida em quatro instituições de Educação Infantil, através de observações das rotinas, entrevistas semiestruturadas com 14 professoras e análise de documentos institucionais, como Projetos Político-Pedagógicos, planos de ação, planejamentos e rotinas. A análise das informações foi fundamentada na Pedagogia Histórico-Crítica, por conceber o papel do professor enquanto mediador crítico do processo educativo, cuja prática deve considerar as condições históricas e materiais em que a educação se desenvolve. Observou-se que a rotina é compreendida, em grande medida, como um conjunto de procedimentos fixos e repetitivos, orientados por normas institucionais e demandas administrativas, o que limita a autonomia docente e reduz as possibilidades de adaptação das práticas às necessidades concretas das crianças e aos acontecimentos emergentes do cotidiano escolar. Nesse contexto, os professores tendem a atuar como executores de orientações previamente determinadas, em vez de sujeitos ativos na construção e transformação do trabalho pedagógico. Os dados também indicam a fragilidade da fundamentação teórica que sustenta a organização da rotina, uma vez que muitos docentes recorrem predominantemente à experiência prática acumulada ao longo da carreira, sem estabelecer uma articulação consistente entre teoria e prática. Essa condição contribui para a naturalização de procedimentos historicamente instituídos, reforçando a reprodução de modelos já consolidados.

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Biografia do Autor

Julia Alves dos Santos Castro, Secretaria Municipal de Educação/Vitória da Conquista/Bahia/Brasil

Professora da Rede Municipal de Vitória da Conquista desde 1999. Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na linha de pesquisa Processos de Ensino-Aprendizagem. Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2002) e especializações em Psicologia da Educação pela Faculdade Juvêncio Terra (2007) e em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (2023). Possui formação em Docência na Educação Infantil pela Universidade Federal da Bahia (em curso) e é Brinquedista formada pela Associação Brasileira de Brinquedotecas (2018). Atualmente atua como Coordenadora da Educação Infantil no Núcleo Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação e como Formadora do Programa de Formação de Professores da Educação Infantil (PROLEEI). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em coordenação pedagógica, formação de professores, currículo na Educação Infantil, rotina e prática docente.

Maria das Graças de Almeida Baptista, Universidade Federal da Paraíba/João Pessoa/Paraíba/Brasil

Professora Titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Possui Pós-doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Doutora e Mestre em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba (PPGE/UFPB) e Psicóloga e Licenciada em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE/UFPB) na Linha de Pesquisa Processos de Ensino-Aprendizagem e do Departamento de Fundamentação da Educação do Centro de Educação (UFPB) na área de Psicologia da Educação. Orientadora de Projetos PIBIC e PROLICEN acerca do tema a relação teoria e prática. Desenvolve pesquisas sobre Formação de professores; Teorias da Educação; Práxis pedagógica; Fundamentos da Psicologia Histórico-cultural; Didática na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Filosofia e Psicologia da Educação - ÁGORA.

Referências

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Publicado

2026-11-04