A REDUÇÃO SOCIOLÓGICA E O DECOLONIALISMO: TECENDO ALTERNATIVAS AOS CURRÍCULOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS COM GUERREIRO RAMOS

Autores

Palavras-chave:

Alberto Guerreiro Ramos;, Currículo, Ciências Sociais, Decolonialidade

Resumo

O estudo analisa as aproximações entre o pensamento do sociólogo brasileiro Alberto Guerreiro Ramos e as teorias decoloniais, com o objetivo de refletir sobre a descolonização dos currículos e dos processos de formação docente nos cursos de Ciências Sociais e nas Licenciaturas em Sociologia no Brasil. De abordagem qualitativa, a pesquisa bibliográfica fundamenta-se na análise conceitual da obra A Redução Sociológica (1958), em diálogo com a teoria curricular crítica e com autores do pensamento decolonial. A investigação examina as bases filosóficas do conceito de redução sociológica, especialmente as contribuições da fenomenologia de Edmund Husserl e da ontologia hermenêutica de Martin Heidegger, compreendendo-o como uma atitude metódica voltada à identificação dos pressupostos históricos e referenciais que conferem sentido aos fatos sociais. Os resultados indicam que a proposta de Guerreiro Ramos antecipa aspectos centrais da crítica decolonial ao questionar a reprodução passiva de categorias sociológicas produzidas no Hemisfério Norte e defender a contextualização crítica do conhecimento científico diante da realidade brasileira. Nessa perspectiva, a redução sociológica não implica a rejeição da produção universal, mas sua apropriação crítica, de modo que as teorias estrangeiras contribuam para a interpretação dos problemas concretos da sociedade nacional. A aproximação entre o pensamento guerreirista e as teorias decoloniais também permite problematizar a limitada presença de sua obra nos debates acadêmicos latino-americanos e fortalecer a construção de referenciais conceituais contextualizados. Conclui-se que a redução sociológica constitui uma ferramenta epistemológica relevante para a descolonização dos currículos e da formação docente, incentivando a análise crítica de conceitos consolidados, a autonomia intelectual e o compromisso com as demandas sociais brasileiras, em favor de uma Sociologia contextualizada e socialmente emancipadora.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Eduardo de Oliveira Gusmão, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGed/UESB). Pós-graduado em Ensino da Sociologia pela Faculdade do Leste Mineiro (FACULESTE). Licenciado em Ciências Sociais Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Foi bolsista de iniciação a docência da CAPES. Foi bolsista do Programa de Educação Tutorial Institucional (PETI) Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Foi Membro do Observatório de Mulheres Negras (Oju Obìnrin/CNPq) de 2023 a 2024. Foi membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Prisões, Violência e Direitos Humanos (Nepp) em 2024.

Reginaldo Santos Pereira , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1997), Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (2008) e Doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (2015). Professor Titular com Dedicação Exclusiva do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem (DCHEL), campus de Itapetinga e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado) em Educação (PPGED) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista. Linha de Pesquisa: Currículo, Práticas Educativas e Diferença. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq: Infância, Educação e Contemporaneidade (GPIEC). Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: currículo, infâncias, avaliação, formação docente e estudos pós-estruturalistas em educação.

Referências

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

GOMES, Nilma Lino. O Movimento Negro e a intelectualidade negra descolonizando os currículos. In: BERNARDINO-COSTA, Joaze; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, Ramón (Orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018. p. 223-246.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, 2008. Disponível em: http://www.uff.br/cadernosdeletrasuff/34/artigo18.pdf. Acesso em: 22 abr. 2026.

OLIVEIRA, Daniel Russell. Psicodrama brasileiro e a luta antirracista: o legado de Alberto Guerreiro Ramos. Revista Brasileira de Psicodrama, São Paulo, v. 33, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.696. Disponível em: https://revbraspsicodrama.org.br/rbp/article/view/696. Acesso em: 5 jul. 2026.

PANDOLFO, Ana Cristina. A flecha anticolonial de Guerreiro Ramos: por uma sociologia autenticamente brasileira. Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS, 2023. Disponível em: https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/7491. Acesso em: 30 maio 2026.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais - perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.

RAMOS, Alberto Guerreiro. A redução sociológica: introdução ao estudo da razão sociológica. São Paulo: Ubu Editora, 2024.

RAMOS, Alberto Guerreiro. Introdução crítica à sociologia brasileira. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995.

REIS, Diego dos Santos. A colonialidade do saber: perspectivas decoloniais para repensar a univers(al)idade. Educação & Sociedade, Campinas, v. 43, e240967, 2022, p. 1-12. DOI: https://doi.org/10.1590/ES.240967. Acesso em: 5 jul. 2026.

SILVA, Nádia Maria Cardoso da. Guerreiro Ramos: um pensamento brasileiro decolonial na década de 50-60 do século XX. Analéctica, Arkho Ediciones, Argentina, v. 3, n. 23, 2017. Disponível em: http://portal.amelica.org/ameli/journal/251/2511672006/. Acesso em: 4 jul. 2026.

Downloads

Publicado

2026-11-04