ENTRE A TERRA E AS TELAS: O BRINCAR DE CRIANÇAS EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA
Palavras-chave:
Brincar, Infância quilombola, Tecnologias digitaisResumo
O estudo analisa as relações entre as práticas de brincar e o uso de tecnologias digitais no cotidiano de crianças de uma comunidade quilombola, com base na Psicologia Histórico-Cultural. A pesquisa busca compreender como meninos e meninas do Povoado Barra do Brumado, localizado em Rio de Contas, na Chapada Diamantina (BA), vivenciam a infância diante da presença de dispositivos digitais, considerando as particularidades socioculturais e territoriais da comunidade. De abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, a investigação foi realizada com seis crianças de três a quatro anos e seus respectivos responsáveis, por meio de treze dias consecutivos de observação participante nas residências e nos espaços comunitários, além de entrevistas semiestruturadas. Fundamentado nos pressupostos de Lev Vigotski sobre o brincar, a imaginação e o desenvolvimento infantil, o estudo identificou que celulares, tablets e televisores não substituem a centralidade das brincadeiras presenciais. Os resultados evidenciam que elementos da natureza, como terra, água, folhas e sementes, integram as experiências lúdicas, articulando-se ao uso de brinquedos industrializados, às cantigas e às interações com familiares, professores e demais membros da comunidade. Observou-se que as telas ocupam uma posição secundária, coexistindo com as brincadeiras e o convívio comunitário, favorecidos pela mediação dos adultos e pelas dinâmicas familiares. Conclui-se que o brincar permanece como atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, sendo constituído pelas relações sociais, afetivas e territoriais. Assim, os achados contribuem para ampliar o debate sobre tecnologias digitais na infância, ressaltando a importância de considerar as singularidades das comunidades tradicionais e o papel dos vínculos comunitários na formação e no desenvolvimento das crianças quilombolas.
Downloads
Referências
VIGOTSKI, Lev Semionovitch. A brincadeira e o seu papel no desenvolvimento psíquico da criança. Revista virtual de gestão de iniciativas sociais, v. 8, n. 1, p. 23-36, 2008.
DE SOUZA MOZZER, Geisa Nunes; BORGES, Fabrícia Teixeira. A criatividade infantil na perspectiva de Lev Vigotski. Revista Inter-Ação, v. 33, n. 2, p. 1-14, 2008.
MALLMANN, Manoela Yustas; FRIZZO, Giana Bitencourt. O uso das novas tecnologias em famílias com bebês: um mal necessário?. Revista Cocar, Porto Alegre, Rio Grande do Sul-Brasil, n. 7, p. 1-21, 2019.
SANTANA, Mariana Inês; RUAS, Maria Aparecida; QUEIROZ, Paulo Henrique Barros. O impacto do tempo de tela no crescimento e desenvolvimento infantil. Revista Saúde em Foco, v. 14, n. 1, p. 169-179, 2021.
SOUSA, Lucas Lopes; DE CARVALHO, José Bégue Moreira. Uso abusivo de telas na infância e suas consequências. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Centro Universitário de Patos (UNIFIP), Patos-PB, v. 23, n. 2, p. 1-10, 2023.
ALVES, Laurenita Gualberto Pereira. Brincadequê: brinquedos e brincadeiras no quilombo de Lajeado. 2021. 150 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Tocantins, Palmas, 2021.
PÉREZ, Beatriz Corsino; DE SOUZA, Estefani Peixinho. “Como é bom brincar, cafuringar”: transmissão intergeracional e apropriação do território pelas crianças quilombolas. DESIDADES-Revista Científica da Infância, Adolescência e Juventude, Rio de Janeiro, v,3, n. 32, 2022.
FICHTNER, Bernd. Introdução na abordagem histórico-cultural de Vygotsky e seus colaboradores. 2010. 102 f. Diretor do Programa Internacional de Pós-Graduação em Educação - International Education Doctorate - INEDD Universidade de Siegen/Alemanha, 2010.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Colóquio Nacional e Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da UESB

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.