ORGANIZAÇÕES DA CLASSE TRABALHADORA NO CAPITALISMO DE PLATAFORMA: REFLEXÕES A PARTIR DO MOVIMENTO RATOS DA PISTA

Autores

Palavras-chave:

Capitalismo de Plataforma, Organizações Coletivas, Plataformas Digitais, Ratos da Pista, Resistência

Resumo

O estudo analisa as formas contemporâneas de organização e resistência da classe trabalhadora no contexto do capitalismo de plataforma, tomando como objeto o coletivo Ratos na Pista, criado em Salvador, Bahia. A pesquisa busca compreender como a expansão das plataformas digitais e a ideologia do empreendedorismo contribuem para a fragmentação do trabalho, o individualismo e a precarização das condições laborais, bem como identificar estratégias de articulação coletiva desenvolvidas pelos trabalhadores. De natureza bibliográfica e exploratória, a investigação associa uma abordagem qualitativa ao estudo de caso, fundamentando-se nas contribuições de Pierre Dardot, Christian Laval, Ricardo Antunes e Vitor Filgueiras. A coleta de dados envolveu a observação das atividades do coletivo em seu perfil oficial no Instagram, o acompanhamento de informações disponibilizadas pela organização e o contato com representantes do grupo em ambiente acadêmico. Os resultados indicam que, diante das dificuldades de reconhecimento sindical e da ausência de canais diretos de diálogo com as plataformas, os trabalhadores desenvolveram formas autônomas de mobilização. Originado em um grupo de mensagens instantâneas e sem cobrança de mensalidades, o coletivo ampliou sua adesão e estabeleceu articulações com influenciadores digitais, instituições públicas e entidades privadas para viabilizar benefícios assistenciais, educacionais e jurídicos. A criação de uma base física em Salvador, o uso de elementos de identificação e a promoção de ações comunitárias também contribuem para fortalecer a solidariedade, o pertencimento e a identidade coletiva. Conclui-se que a experiência do Ratos na Pista evidencia a capacidade de trabalhadores plataformizados de construir estratégias de organização e resistência à precarização, articulando espaços virtuais e presenciais para ampliar o apoio mútuo, a negociação e a busca por direitos e dignidade no trabalho.

 

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Biografia do Autor

Caio Vinícius Sena Souza, Universidade Federal da Bahia/Salvador/Bahia/Brasil

Advogado. Mestrando em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Membro do Grupo de Pesquisa Lutas Sociais, Relações de Trabalho e Direito do Trabalho (UFBA/CNPq). Membro do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia (UESB/CNPq). Advogado associado na Macedo Macedo Brandao Castaldi Sociedade de Advogados.

Marisa Oliveira Santos , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Doutora em Memória, Linguagem e Sociedade pela UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Bolsista FAPESB no doutoramento. Membro do grupo de Pesquisa História, Trabalho e Educação / Museu pedagógico/UESB. Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz. Bacharel em Administração pela UESB. Professora Adjunta da UESB no curso de Administração, lotada no Departamento de Ciências Sociais Aplicadas - DCSA. Tem experiência na Ciência Administrativa Crítica, com ênfase nas discussões acerca da Teoria das Organizações, Sistemas e Métodos e Gestão de Pessoas. Converge sua pesquisa para as categorias discursivas: Trabalho Familiar, Modos de vida, Memórias, Saberes no/do trabalho entre povos rurais mediante enfrentamentos dos ditames do modo de produção capitalista. Coordenadora do Projeto de Pesquisa MEMÓRIAS DO TRABALHO-EDUCAÇÃO NO CAMPO: do uno semântico ao desapossamento dos saberes do/no trabalho

Referências

ANTUNES, Ricardo; FILGUEIRAS, Vitor. Plataformas digitais, Uberização do Trabalho e Regulação no Capitalismo Contemporâneo. Contracampo, Niterói, v. 39, n. 1, p. 27-43, abr./jul. 2020.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. Tradução de Mariana Echalar. 1. ed. São Paulo. Boitempo, 2016.

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Publicado

2026-11-04