CASSANDRA RIOS: E O PULSAR DE UMA NARRATIVA DE VIDA DE QUEM QUERIA APENAS SER LIDA
Palavras-chave:
Censura, Análise do discurso, Narrativa de VidaResumo
A pesquisa analisa as estratégias de resistência discursiva e os tensionamentos à ordem patriarcal e heteronormativa na autobiografia Censura: minha luta, meu amor (1977), de Cassandra Rios, pseudônimo de Odette Rios, considerando sua trajetória como mulher, escritora e lésbica perseguida e censurada durante a Ditadura Militar brasileira. O objetivo consiste em compreender como a escrita autobiográfica se constitui como instrumento de contestação da marginalização feminina no campo literário e de reivindicação do direito de existir, escrever e ser lida. De natureza qualitativa e bibliográfica, o estudo foi desenvolvido no âmbito de um subprojeto de Iniciação Científica (PIBIC-CNPq), mediante revisão teórica, fichamento analítico e mapeamento discursivo da obra. A fundamentação teórico-metodológica articula a Análise Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, as noções de sujeito transclasse e narrativa de vida, de Ida Lúcia Machado, o conceito de constelação autobiográfica, de Diana Klinger, e as formulações sobre literatura menor, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. A análise do contrato de comunicação, do quadro situacional de linguagem e dos sujeitos do circuito discursivo evidencia que a obra responde aos processos de difamação, interdição e apagamento promovidos pela censura estatal e pelo moralismo vigente. Ao recorrer à autobiografia, gênero com o qual não se identificava prioritariamente, Cassandra Rios constrói uma voz enunciativa que denuncia a perseguição, confronta os julgamentos de críticos e censores e reivindica o reconhecimento de sua capacidade intelectual e artística. Conclui-se que a escrita de vida da autora configura um gesto político de resistência e afirmação identitária, transformando a experiência de estigma e repressão em espaço de denúncia e enfrentamento das hegemonias patriarcais e heteronormativas. Desse modo, o estudo destaca a importância do resgate de sua obra para a historiografia literária brasileira e para a compreensão da literatura e das narrativas de vida como instrumentos de visibilidade de trajetórias historicamente silenciadas.
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Referências
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