JUDICIÁRIO E DESIGUALDADES ESTRUTURAIS: ANÁLISE INTERSECCIONAL DE SENTENÇAS EM CRIMES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO NO BRASIL, A PARTIR DE DADOS PÚBLICOS (2016-2026)

Autores

Palavras-chave:

Desigualdade, Direito, Interseccionalidade, Judiciario, Social

Resumo

A pesquisa analisa a atuação do Judiciário brasileiro no julgamento de crimes de furto e delitos previstos na Lei de Drogas, especificamente posse para uso e tráfico, no período de 2016 a 2026, sob uma perspectiva interseccional. O objetivo consiste em compreender como os marcadores sociais de raça, gênero e classe atravessam as decisões judiciais e evidenciam tensões entre o princípio da imparcialidade formal e as desigualdades estruturais presentes no sistema de justiça penal. De natureza bibliográfica e quantitativa, o estudo articula as reflexões de Michel Foucault e Luiz Cláudio Lourenço sobre punição e controle social à análise de dados públicos secundários da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A investigação considera informações agregadas dos Tribunais de Justiça estaduais e características sociodemográficas dos réus, como raça, escolaridade, inserção no mercado de trabalho e faixa etária. Os resultados apresentados apontam para a seletividade penal no processamento dos delitos investigados, marcada pela sobrerrepresentação de pessoas pretas e pardas, especialmente jovens do sexo masculino com baixa escolaridade e trajetórias profissionais precarizadas. O cruzamento entre os dados estatísticos e o referencial teórico evidencia a incidência desproporcional do sistema punitivo sobre grupos historicamente marginalizados, inclusive em infrações sem violência ou grave ameaça. Conclui-se que as desigualdades sociais e raciais são reproduzidas pelas instituições de justiça, contribuindo para a manutenção das hierarquias sociais e do encarceramento em massa da população negra e pobre. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de revisar criticamente as práticas jurídicas e as políticas criminais brasileiras, promovendo o letramento racial e interseccional no sistema de justiça para enfrentar o racismo institucional e ampliar a efetivação dos direitos fundamentais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Laislla Sousa Lima, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Estudante de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. Estudante de Psicologia da Faculdade Independente do Nordeste - FAINOR.

Karyna Pelufe Rodrigues, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, após ter cursado três semestres de Engenharia Ambiental na mesma instituição. Possui experiência em ensino, pesquisa e extensão por meio do Programa de Educação Tutorial Institucional (PETI Ambiental), além de atuação na área de assistência e permanência estudantil. Tem participação ativa no movimento estudantil, com atuação no Diretório Central dos Estudantes (DCE) e em organizações acadêmicas. Atualmente, desenvolve atividades de tutoria e integra projeto voltado à orientação e aprimoramento discente no campus de Vitória da Conquista. Possui produções acadêmicas voltadas a questões socioambientais, políticas públicas e inclusão social. Tem interesse nas áreas de Sociologia, Antropologia, Ciência Política e Educação.

Luciana Pereira de Oliveira Cruz, Universidade do Estado da Bahia/ Bahia/ Brasil

Possui Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Vale do Rio Doce-UNIVALE(1995). Especialista em Comunicação/ Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia( UESB). Professora Assistente da Universidade do Estado da Bahia , atuando principalmente nos seguintes temas: Ciências Humanas, Sociedade Brasileira e Sociologia. Cultura afro-brasileira, Sociologia da Educação, Sociologia Jurídica, Direito e Sociedade. Mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia- UNEB . Doutora em Educação e Contemporaneidade - UNEB. Coordenadora local do Curso de Licenciatura em Sociologia- Plataforma Freire (CAPES/UNEB) Campus XX- Brumado. Atuou como Coordenadora da Secretaria Especial de Articulação Interinstitucional (SEAI) da UNEB. Coordena o Laboratório de Estudos sobre Educação , Direito e Diversidade- Campus XX- Brumado e e Observatório interdepartamental de ações governamentais - OIA/Uneb. Atualmente é Diretora do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias- UNEB/ Campus XX- Brumado. Coordenadora local do Diagnóstico das Escolas do Campo na Bahia- Polo Brumado.

Referências

BRASIL. (1940). Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940). Presidência da República. BRASIL. (2006). Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad (Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006). Presidência da República.

Brasil. Ministério da Justiça e Segurança Pública. (2024). Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária: Quadriênio 2024–2027. CNPCP.

Foucault, M. (1987). Vigiar e punir: Nascimento da prisão. Vozes.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). (2023). Perfil do processado e produção de provas nas ações criminais por tráfico de drogas: Relatório analítico nacional dos tribunais estaduais de justiça comum. Ipea.

Lourenço, L. C., & Rocha, G. L. (Orgs.). (2013). Prisões e punição no Brasil contemporâneo. EDUFBA.

Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN). (2025). SENAPPEN divulga Levantamento de Informações Penitenciárias referente ao primeiro semestre de 2025. Portal Gov.br.

Tassara, E. C. C. (2025). O acesso à justiça e a desigualdade no sistema judiciário [Trabalho de Conclusão de Curso, Pontifícia Universidade Católica de Goiás].

Downloads

Publicado

2026-11-04