ETHOS E MEMÓRIA NO POVOADO DO PEIXE: NARRATIVAS SOBRE PATRIMÔNIO, ORIGEM E IDENTIDADE COMUNITÁRIA

Autores

Palavras-chave:

Ethos, Memória coletiva, Narrativas orais, Povoado do Peixe

Resumo

A pesquisa analisa como narrativas orais, escritas, visuais e audiovisuais constroem representações valorativas do Povoado do Peixe, localizado no município de Lagedo do Tabocal, no sertão baiano, contribuindo para a constituição da memória coletiva e da identidade comunitária. O estudo objetiva compreender as formas de enunciação que atribuem sentidos ao casarão, à igreja católica, à escola, às festas, ao futebol e às figuras fundadoras da localidade, evidenciando valores como fé, trabalho, solidariedade, cuidado e enraizamento territorial. De natureza qualitativa, documental e fundamentada na história oral, a investigação articula as contribuições de Aristóteles, Ruth Amossy e Dominique Maingueneau, no campo da Retórica e da Análise do Discurso, aos conceitos de memória coletiva, de Jacques Le Goff, e identidade, de Stuart Hall. O corpus reúne um documentário local e sua transcrição, o texto História do povo do Peixe, registros fotográficos e depoimentos de oito guardiões da memória comunitária, submetidos à análise retórico-discursiva dos fatos narrados e dos diferentes níveis de construção do ethos. Os resultados parciais identificam quatro eixos éticos predominantes: a fé, associada às práticas religiosas e à construção da igreja; o trabalho, presente nas memórias do cultivo agrícola, da casa de farinha e da docência; a solidariedade e o cuidado, expressos nas doações de terrenos, no amparo comunitário e nas rezas; e o enraizamento territorial, relacionado à paisagem, à origem do topônimo Lagoa do Peixe e ao sentimento de pertencimento. As fotografias de edificações, ritos e times locais também contribuem para a preservação visual das referências compartilhadas. Conclui-se que as narrativas comunitárias constituem práticas discursivas de afirmação identitária e resistência ao apagamento histórico, conferindo dignidade e legitimidade à história e aos modos de vida rurais. Desse modo, a memória é compreendida como uma reconstrução dinâmica, sustentada por espaços, sujeitos e acontecimentos que atualizam os valores e os vínculos da comunidade.

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Biografia do Autor

Ana Clara Sousa do Nascimento, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Licenciada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Durante a graduação, atuou como monitora voluntária da disciplina Língua Portuguesa VI (2024.2) e integrou o Grupo de Estudos em Literaturas dos Séculos XX e XXI (GELSEXXI). Também exerceu a função de Educadora Social na Educação Integral em Tempo Integral do município de Lagedo do Tabocal-BA. Atualmente, é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras: Educação, Cultura e Linguagem da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sob a orientação do professor Renan Paulo Bini.É especialista pela Faculdade Iguaçu nas áreas de Letras Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Literatura, Cultura e Ensino da Arte; Língua Portuguesa, Literatura e Artes; Língua Portuguesa e Literatura Aplicada ao Ensino; Estudos Linguísticos e Literários; e Educação em Tempo Integral. Sua formação acadêmica concentra-se nos estudos da língua e da literatura, nas relações entre literatura, arte e cultura e nas práticas pedagógicas voltadas ao ensino de Língua Portuguesa. 

Renan Paulo Bini, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Doutor e Mestre em Letras, na área de Linguagem e Sociedade, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), com estágios de pós-doutorado na mesma instituição. É Professor Adjunto do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagens (PPGCEL/UESB) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/Unioeste). É graduado em Letras Português/Italiano, Comunicação Social Jornalismo e Pedagogia e especialista em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas. Desenvolve pesquisas nas áreas de Retórica e Argumentação, com ênfase nas relações entre escolhas linguísticas, construção de ethos, pathos e logos, pessoa do discurso, modalização, referenciação e produção textual, além de estudos sobre escrita acadêmico-científica e ensino de Língua Portuguesa. Coordena projetos de pesquisa e extensão voltados à Retórica, à produção de textos acadêmico-científicos e à formação universitária. Integra os grupos de pesquisa Linguagem e Sociedade (Unioeste/CNPq) e Laboratório de Linguística Cognitiva e Estudos de Gesto LabGest (UESB/DGP/CNPq). 

Ivone Vieira da Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

É licenciada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. Atualmente é mestranda no Programa de Pós-graduação em Letras:Cultura, Educação, Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da da Bahia. É membro do Laboratório de Ensino e Historiografia da Antiguidade e do Medievo (LEHAM - UESB), atuando na área de relações de gênero no Antigo Oriente Próximo. Tem interesse nas seguintes áreas de pesquisa: Ensino de História, Genêro, Antigo Oriente Próximo, Relações étnico-raciais, Retórica.

Referências

AMOSSY, Ruth. Da noção retórica de ethos à análise do discurso. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2016. p. 9-28.

ARISTÓTELES. Retórica. Tradução, textos adicionados e notas de Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2017.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

MAINGUENEAU, Dominique. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2016. p. 69-92.

MAINGUENEAU, Dominique. Variações sobre o ethos. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2020.

PERAZZO, Priscila Ferreira. Narrativas orais de histórias de vida. Comunicação & Inovação, São Caetano do Sul, v. 16, n. 30, p. 121-131, jan./abr. 2015.

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Publicado

2026-11-04