“A ANVISA ADVERTE”: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NAS ADVERTÊNCIAS SANITÁRIAS DAS EMBALAGENS DE CIGARROS BRASILEIRAS

Autores

Palavras-chave:

Cigarro, Advertências Sanitárias, Representações sociais, Memória

Resumo

A pesquisa analisa as advertências sanitárias presentes nas embalagens de cigarros no Brasil como instrumentos de comunicação que mobilizam representações sociais e memórias coletivas sobre o tabagismo. O objetivo consiste em compreender como os apelos verbais e visuais dessas advertências dialogam com o senso comum e constroem sentidos sobre os riscos e as consequências do consumo de tabaco, considerando as políticas governamentais de controle do tabagismo entre 2001 e 2025. A fundamentação teórica articula a Teoria das Representações Sociais, de Serge Moscovici e Denise Jodelet, às formulações de Maurice Halbwachs sobre memória coletiva e quadros sociais da lembrança. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, com análise de conteúdo fundamentada em Laurence Bardin, tendo como corpus 43 peças de advertências sanitárias aprovadas por resoluções e instruções normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2001. As unidades verbais e visuais, dispostas na face posterior das embalagens, são examinadas e organizadas em quatro categorias temáticas: doença, impacto social, impacto direto a terceiros e morte. Os resultados preliminares indicam que a objetivação transforma conhecimentos científicos sobre os riscos do tabagismo em elementos visuais e verbais de compreensão acessível. Também são observadas mudanças nas estratégias imagéticas ao longo do período analisado, que alternam metáforas visuais, representações hiper-realistas do sofrimento e composições simbólicas que sugerem a finitude sem exposição explícita de cadáveres. Conclui-se, preliminarmente, que as embalagens constituem um espaço de disputa simbólica no qual a ANVISA seleciona e ressignifica conteúdos para comunicar os efeitos do tabagismo, influenciando a compreensão social dos riscos e as percepções sobre comportamentos relacionados ao consumo de cigarros. Assim, a investigação destaca a relevância das representações sociais e da memória coletiva para compreender a construção e a comunicação das políticas públicas de prevenção ao tabagismo no Brasil.

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Biografia do Autor

Gustavo Gomes Amorim da Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Possui graduação em Administração pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB (2023). Atualmente é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade PPGMLS na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Mercadologia. Desenvolve pesquisas no campo das Representações Sociais e Memória Coletiva, com especial interesse em políticas de álcool e outras drogas.

Luci Mara Bertoni, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Pedagoga, com Mestrado e Doutorado em Educação Escolar (UNESP). Pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) e na Universidade de Santiago de Compostela (USC/Espanha). Atualmente, é Professora Plena do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas e Docente no Programa de Pós Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB - no campus de Vitória da Conquista. Membro do Comitê Científico CRIA Ciência (SENAD/MJ). Tem experiência na área de Educação, atuando nos seguintes temas: educação, política educacional, representações sociais, memória, gênero, álcool e drogas. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero, Políticas, Álcool e Drogas - GePAD - vinculado ao Museu Pedagógico da UESB e ao Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS/UESB).

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Publicado

2026-11-04