A TATUAGEM DE BORBOLETA COMO MARCADOR MORAL FEMININO NO DISCURSO RED PILL: MEMÓRIA DISCURSIVA E PRODUÇÃO DE SENTIDOS NAS REDES SOCIAIS

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Palavras-chave:

Discurso red pill, Tatuagem de borboleta, Produção de sentidos, Memória discursiva, Redes sociais digitais

Resumo

O presente trabalho analisa como a tatuagem de borboleta passa a funcionar como marcador moral feminino em discursos associados à filosofia red pill, que circulam nas redes sociais digitais. Fundamentada na Análise do Discurso de orientação materialista, a pesquisa mobiliza as contribuições de Pêcheux (2007), Orlandi (2005; 2016), Dias (2018) e Zoppi Fontana (2021), compreendendo os sentidos como efeitos produzidos nas relações entre linguagem, memória, história e ideologia. O corpus, constituído por um vídeo publicado pela influenciadora Cecília Araújo no Instagram, comentários selecionados dessa publicação e dois vídeos do influenciador Raiam Santos, foi analisado considerando as condições de produção, a memória discursiva e os efeitos de sentido presentes na circulação dessas materialidades digitais. Os resultados parciais indicam que a tatuagem de borboleta deixa de ser interpretada apenas como elemento estético e passa a sustentar julgamentos sobre o comportamento, o caráter e a moralidade das mulheres, sendo associada, em determinados enunciados, à promiscuidade, ao desvio moral e à inadequação para relacionamentos. Expressões que apresentam essa associação como evidente contribuem para naturalizar sentidos historicamente produzidos e retomados na circulação digital. Conclui-se que a tatuagem de borboleta funciona, nesses discursos, como suporte para classificações morais do corpo feminino, evidenciando o papel da memória discursiva na produção e estabilização de sentidos sobre as mulheres. Por se tratar de uma pesquisa em andamento, as análises permanecem parciais e serão aprofundadas nas próximas etapas da investigação.

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Biografia do Autor

Paloma Silva de Castro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Juvino Oliveira (Itapetinga-BA). Mestranda em Linguística pela mesma instituição, no campus de Vitória da Conquista.Possui experiência na área da Educação, com ênfase na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, atuando em projetos e programas voltados à formação docente e ao desenvolvimento de práticas pedagógicas. Desenvolveu pesquisa na área de transexualidade no contexto escolar, com foco na superação de tabus e na ampliação da compreensão acerca da diversidade no ambiente educacional.Participou de atividades de iniciação científica, do Programa de Residência Pedagógica e de projetos de extensão, incluindo ações vinculadas à Semana da Consciência Negra. Possui experiência na organização e participação em eventos acadêmicos, seminários e atividades formativas, com ênfase em políticas públicas, gestão educacional, diversidade e práticas pedagógicas inclusivas.

Laís Virginia Alves Medeiros, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Professora adjunta na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Bacharela em Letras - Francês (UFRGS), licenciada em Letras - Português (Centro Universitário Claretiano), mestra em Letras - Estudos da Linguagem (UFRGS) e doutora em Linguística (Unicamp). Integrante dos grupos de pesquisa Mulheres em Discurso - Lugares de enunciação e processos de subjetivação e LINDIS - Laboratório de Pesquisas em Língua e Discurso, e do grupo de trabalho Alhures - Análise de Discurso, Linguagem, História, Urbano e Resistência. Sua pesquisa se insere no campo da Análise do Discurso de linha materialista em diálogo com a História das Ideias Linguísticas, os feminismos e os estudos de gênero. Foi bolsista do Programa de Pesquisador de Pós-Doutorado da Unicamp, onde desenvolveu pesquisa sobre língua e gênero em História das Ideias Linguísticas e atuou como docente credenciada no Instituto de Estudos da Linguagem, ministrando disciplinas do departamento de Linguística.

Referências

DIAS, Cristiane. Análise do discurso digital: sujeito, espaço, memória e arquivo. Campinas, SP: Pontes Editores, 2018.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 6. Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2005.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Discurso em análise: sujeito, sentido e ideologia. 3. Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2016.

PÊCHEUX, Michel. Papel da memória. In: ACHARD, Pierre et al. Papel da memória. 2°. Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2007. P. 49-57.

ZOPPI FONTANA, Mônica G. Efeitos da sintaxe na constituição de lugares de enunciação. In: ZOPPI FONTANA, Mônica G.; BIZIAK, Jacob dos Santos (Org.). Mulheres em discurso: gênero, linguagem e corpos em disputa. Campinas, SP: Pontes Editores, 2021. V. 3, p. 435-459.

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Publicado

2026-11-04