PANDEMIA DA COVID-19 E ACELERAÇÃO DIGITAL: REFLEXÕES SOBRE A DEPENDÊNCIA DIGITAL
Palavras-chave:
Pandemia da COVID-19, Mídias digitais, Dependência digital, Memória, Representações sociaisResumo
O presente trabalho discute como a pandemia da COVID-19 acelerou o processo de digitalização da sociedade e contribuiu para a consolidação de novas formas de sociabilidade marcadas pela hiperconectividade. O estudo constitui um recorte de uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), fundamentada na Teoria da Memória Coletiva, de Halbwachs ([1950] 1990), e na Teoria das Representações Sociais, de Moscovici ([2000] 2015). De abordagem qualitativa, a investigação articula revisão bibliográfica e dados empíricos obtidos por meio de questionário on-line aplicado a 109 participantes maiores de 18 anos. Os resultados indicam que 78% dos participantes aumentaram o uso da internet durante a pandemia, enquanto 77,1% relataram maior utilização das redes sociais digitais. Além disso, 33,9% afirmaram permanecer mais de seis horas diárias utilizando mídias digitais. Observou-se também que essas plataformas passaram a concentrar diferentes atividades, como informação, trabalho, aprendizagem e entretenimento, consolidando-se como espaços centrais da vida cotidiana. Embora a ampliação da conectividade tenha favorecido a manutenção das relações sociais e a continuidade de atividades durante o isolamento físico, também evidenciou desafios relacionados à sobrecarga informacional, à desigualdade de acesso e aos comportamentos associados à dependência digital. Conclui-se que a pandemia atuou como catalisadora da digitalização da sociedade, contribuindo para a permanência de hábitos digitais e para a transformação das práticas de interação social, das representações e das experiências contemporâneas.
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