SOLIDÃO À MESA: VEGANISMO E AS FRONTEIRAS SIMBÓLICAS DA COMENSALIDADE
Palavras-chave:
Veganismo, Comensalidade, Sociabilidade alimentarResumo
O presente trabalho analisa como sujeitos veganos experienciam pertencimento, exclusão e resistência nas práticas de comensalidade, compreendendo a mesa como uma fronteira simbólica que delimita formas de inclusão, distinção e negociação identitária. A pesquisa constitui um recorte de uma tese de doutorado em andamento e articula revisão bibliográfica à análise de três cartas escritas por jovens veganos residentes em Arapiraca, Alagoas, selecionados por meio da técnica de amostragem em bola de neve. A interpretação do material considera as dimensões sociais, culturais, afetivas e ético-políticas da alimentação, com contribuições de autores como Moreira (2010), Bourdieu (2007), Adams (2018), Twine (2014) e Haesbaert (2023). Os relatos evidenciam que a exclusão vivenciada pelos participantes não se manifesta necessariamente pela impossibilidade de ocupar fisicamente a mesa, mas pela ausência de opções alimentares adequadas, por piadas, questionamentos recorrentes e pela necessidade de justificar suas escolhas. Nesse contexto, a centralidade cultural da carne produz tensões entre diferentes concepções de alimentação, pertencimento e ética animal, especialmente quando o veganismo confronta hábitos naturalizados e tradições regionais vinculadas à pecuária. As narrativas também revelam estratégias de resistência, como a seleção de ambientes e convites, a criação de espaços próprios de convivência e a manutenção das escolhas éticas diante do desconforto social. Conclui-se que a comensalidade ultrapassa a partilha de alimentos, constituindo um espaço de disputas simbólicas no qual são negociadas identidades, legitimidades e pertencimentos. Assim, a mesa pode operar simultaneamente como lugar de sociabilidade e como fronteira simbólica que evidencia mecanismos de inclusão e exclusão de sujeitos veganos.
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Referências
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