DESENVOLVIMENTO FONOLÓGICO DE CRIANÇAS COM T21: CONTRIBUIÇÕES DO PROGRAMA DE INTERVENÇÃO NEUROLINGUÍSTICA NA INFÂNCIA

Autores

Palavras-chave:

Trissomia 21, Síndrome de Down, Linguagem, Processos fonológicos, Neurolinguística

Resumo

O presente estudo investiga o desenvolvimento fonológico e os processos de simplificação da fala de crianças com Trissomia do Cromossomo 21 (T21), fundamentando-se na Teoria Histórico-Cultural de Lev Vygotsky, na Neuropsicologia de Alexander Luria e na Neurolinguística Discursiva de Maria Irma Hadler Coudry. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, descritiva e longitudinal e acompanha oito crianças participantes do Programa de Intervenção Neurolinguística na Infância (PINI), vinculado ao Grupo Fala-Down da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). O acompanhamento ocorreu por meio de sessões individuais semanais, associadas a orientações às famílias, e a análise considerou marcos do desenvolvimento linguístico, como o balbucio canônico, a primeira palavra significativa e a produção de palavras justapostas ou frases. Os resultados demonstram que todas as crianças percorreram os marcos observados no desenvolvimento típico, embora com maior variabilidade e extensão temporal. Entre os processos fonológicos identificados, destacam-se omissões de consoantes e líquidas, substituições consonantais, simplificação de estruturas silábicas complexas e redução de palavras longas. Os achados sugerem que as diferenças observadas são predominantemente quantitativas, relacionadas ao tempo de aquisição, uma vez que as produções seguem princípios organizadores do sistema fonológico. Conclui-se que a intervenção neurolinguística precoce, a estimulação contínua e o envolvimento familiar favorecem o desenvolvimento da linguagem e a reorganização fonológica, ressaltando-se a importância das interações sociais e da continuidade de estudos longitudinais sobre a aquisição da linguagem por crianças com T21.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Nathália Bomfim Costa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutoranda e mestra em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGLin/UESB). Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Vitória da Conquista. Participante do Grupo de Pesquisa ''Fala-Down'' e do Laboratório de Pesquisa e Estudos em Neurolinguística (LAPEN), com atuação e foco em Aquisição da Linguagem no desenvolvimento típico e atípico. Tem interesse nas áreas de pesquisa de Neurolinguística, Psicolinguística, Fonética e Fonologia e Educação Especial.

Carla Salati Almeida Ghirello-Pires, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

É bacharel em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCcamp). Mestre em Psicologia, área de concentração Psicologia Experimental, pelo Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Linguística, área de concentração neurolinguistica, pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pos Doutorado em Psicologia - Universidade Estadual de Maringá. Docente do Departamento de Estudos Linguisticos e Literários (DELL) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Linguistica (PPGLin) da UESB, membro titular do Grupo de Pesquisa e de Estudo em Neurolinguistica (GPEN) cadastrado no CNPq com atuação na área de pesquisa Síndrome de Down e Linguagem. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Fala-Down. Implantou o Bacharelado e a Clínica Escola de Fonoaudiologia do Centro Universitário de Maringá (Cesumar) e coordenou-os de maio de 1998 a dezembro de 2010. Exerce atividades profissionais na área do ensino e da pesquisa, da gestão acadêmico-universitária, docência no ensino superior, supervisão de estágio curriculares e extra-curriculares, orientação de pesquisa no nível de graduação e pós-graduação a partir dos pressupostos da Neurolinguística Discursiva e Teoria Histórico Cultural. Atuou na área clínica fonoaudiológica e escolar, com os problemas de: aquisição de linguagem oral e escrita, interação mãe-bebê, programas de prevenção na área de amamentação e problemas de ordem neurológica e linguistica nas afasia, parkinson, paralisia cerebral.

Referências

ABBEDUTO, Leanne et al. Language development in Down syndrome: from the prelinguistic period to the acquisition of literacy. Mental Retardation and Developmental Disabilities Research Reviews, Hoboken, v. 13, n. 3, p. 247-261, 2007.

BENVENISTE, Émile. Problemas de linguística geral I. 5. ed. Tradução de Eduardo Guimarães et al. Campinas: Pontes Editores, 2005.

BUCKEY, C. Hearing loss in children with Down syndrome. Bethesda: National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, 2002.

COUDRY, Maria Irma Hadler. Diário de Narciso: discurso e afasia. 1986. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1986.

LAMPRECHT, Regina Ritter. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004.

LURIA, Alexander Romanovich. Fundamentos de neuropsicologia. Tradução de Juarez Aranha Ricardo. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1981.

MEYERS, F. L. Using computers to teach children with Down syndrome. New York: Plenum Press, 1990.

MUSTACCHI, Z. Síndrome de Down: aspectos genéticos e clínicos. São Paulo: Memnon, 2009.

STAMPE, David. A dissertation on natural phonology. 1973. Tese (Doutorado em Linguística) – University of Chicago, Chicago, 1973.

STOEL-GAMMON, Carol. Down syndrome phonology: developmental patterns and intervention strategies. Down Syndrome Research and Practice, Portsmouth, v. 7, n. 3, p. 93-100, 2001.

TEIXEIRA, Elizabete. Terapia fonoaudiológica para os desvios fonológicos. Rio de Janeiro: Revinter, 2014.

VYGOTSKI, L. S. Fundamentos de defectologia. Madri: Visor e MEC. Obras Escogidas, Tomo V., 1997.

Downloads

Publicado

2026-11-04