O ESTILO TELEGRÁFICO NA LINGUAGEM ESCRITA DE ADOLESCENTES COM SÍNDROME DE DOWN: CONTRIBUIÇÕES DA NEUROLINGUÍSTICA DISCURSIVA PARA O PROCESSO DE INTERVENÇÃO
Palavras-chave:
Síndrome de Down, Linguagem escrita, Estilo telegráfico, Neurolinguística discursiva, MediaçãoResumo
A linguagem constitui um dos principais instrumentos de mediação entre o sujeito e o mundo, favorecendo a organização do pensamento, a construção de significados e a participação social. Seu desenvolvimento envolve diferentes dimensões linguísticas — fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática — que se articulam ao longo da aquisição da linguagem. No caso de pessoas com Síndrome de Down (SD), condição genética decorrente da trissomia do cromossomo 21, o desenvolvimento linguístico segue etapas semelhantes às do desenvolvimento típico, porém com ritmo mais lento, especialmente nos aspectos morfossintáticos (Miller, 1987; Rondal, 2002; Schwartzman, 1999). Entre as características frequentemente observadas destaca-se o estilo telegráfico, descrito por Jakobson (1970) como uma produção linguística marcada pela omissão de elementos gramaticais de classe fechada, como artigos, preposições e conjunções, resultando em enunciados sintaticamente simplificados.
Embora esse padrão seja esperado nas fases iniciais da aquisição da linguagem, sua permanência em adolescentes com SD levanta importantes questões sobre o desenvolvimento linguístico e as possibilidades de intervenção. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar a ocorrência do estilo telegráfico em produções orais e escritas de dois adolescentes com Síndrome de Down, identificando os elementos linguísticos ausentes e investigando os efeitos de intervenções mediadas na ampliação do uso de conectivos e demais elementos gramaticais. A pesquisa busca compreender o funcionamento da linguagem desses sujeitos a partir de uma perspectiva não patologizante, valorizando os processos de mediação social e as potencialidades de desenvolvimento linguístico.
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Referências
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