ÀS ARTES DE VIVER POR VIR: ESQUIZOANÁLISE COMO ESCUTA INSURGENTE
Palavras-chave:
Subjetividade, Resistência, EsquizoanáliseResumo
Este trabalho discute as contribuições da esquizoanálise, formulada por Gilles Deleuze e Félix Guattari, para a compreensão das práticas socioculturais de resistência na contemporaneidade. Parte-se da constatação de que as transformações sociais, políticas e culturais atuais intensificam mecanismos de controle que incidem sobre os modos de pensar, sentir e desejar, favorecendo processos de homogeneização da subjetividade. Em contraposição, Deleuze e Parnet (1998) compreendem o desejo como força produtiva, responsável pela criação de agenciamentos e pela produção da realidade social, afastando-se das concepções que o reduzem à falta ou à carência. Fundamentada na ética da imanência desenvolvida por Deleuze (2002), essa abordagem entende a vida como um campo de relações capazes de ampliar ou restringir a potência de agir. A pesquisa caracteriza-se como um estudo bibliográfico de abordagem qualitativa, fundamentado principalmente nas obras Diálogos, Conversações, Espinosa: filosofia prática e no artigo As esquizoanálises. A análise permitiu identificar que a subjetividade é produzida por múltiplos agenciamentos sociais, políticos, econômicos, materiais e semióticos, não constituindo uma essência individual (Guattari, 2008). Nesse contexto, destacam-se os conceitos de linha de fuga e singularização como processos que possibilitam romper formas rígidas de organização da vida, produzindo novos modos de existência e ampliando as possibilidades de resistência frente às dinâmicas de captura da subjetividade (Deleuze; Parnet, 1998). Conclui-se que a resistência, sob a perspectiva da esquizoanálise, ultrapassa o enfrentamento direto das estruturas de poder, configurando-se como um processo contínuo de criação de modos singulares de viver, desejar e relacionar-se. Assim, a articulação entre a ética espinosana (Deleuze, 2002) e a esquizoanálise (Guattari, 2008) evidencia a potência criadora presente nos processos de subjetivação, oferecendo importantes contribuições para a reflexão sobre as práticas contemporâneas de resistência e sobre a invenção de novas formas de habitar o mundo.
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Referências
DELEUZE, G. Espinosa: filosofia prática. São Paulo: Escuta, 2002.
DELEUZE, G.; PARNET, C. Diálogos. São Paulo: Escuta, 1998.
GUATTARI, F. As esquizoanálises. Revista Ensaios, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 1-21, 2008.
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