QUEM CHEGAR POR ÚLTIMO É A MULHER DO PADRE: ENTRE O MITO E O DIREITO, UMA ANÁLISE DA CULPABILIZAÇÃO FEMININA NA LENDA DA MULA SEM CABEÇA

Autores/as

Palabras clave:

Mula sem cabeça, Cultura, Direito, Violência de gênero, Mito

Resumen

O trabalho analisa o mito da Mula Sem Cabeça sob a perspectiva das relações de gênero e do Direito, demonstrando que a narrativa folclórica atribui exclusivamente à mulher a punição por uma relação considerada proibida com um sacerdote, enquanto a figura masculina permanece, em regra, isenta de responsabilização. A pesquisa sustenta que essa construção simbólica reforça estereótipos de gênero, associando a mulher à culpa, à tentação e à transgressão, em desacordo com os princípios constitucionais da igualdade, da dignidade da pessoa humana e da não discriminação.

A investigação possui natureza qualitativa, exploratória e descritiva, baseada em revisão bibliográfica, análise documental e abordagem interdisciplinar, utilizando referenciais do Direito, da antropologia, da psicologia social e dos estudos de gênero. Também foram analisados dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado, 2025) e da pesquisa Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica contra a Mulher (Instituto Avon/Data Popular, 2013).

Os resultados evidenciam que o mito reproduz uma lógica histórica de culpabilização feminina, refletida ainda hoje em padrões culturais que dificultam o reconhecimento da violência de gênero. Os dados demonstram que, apesar dos avanços legislativos, persistem elevados índices de violência contra as mulheres e uma significativa dificuldade de autores de violência em reconhecer suas próprias condutas, favorecendo a responsabilização da vítima.

Conclui-se que a efetividade da proteção jurídica das mulheres depende não apenas da existência de normas, mas também da transformação das estruturas culturais e simbólicas que naturalizam a desigualdade e a culpabilização feminina. Assim, o mito da Mula Sem Cabeça revela como determinadas narrativas culturais podem contribuir para obscurecer a percepção da violência de gênero e limitar a atuação do Direito na promoção da igualdade e da proteção dos direitos fundamentais.

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Biografía del autor/a

Juliana Carvalho Duarte, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduanda em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Daniella Santos Magalhães, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Doutora em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2022). Mestre em Direito pela Universidade Federal da Bahia (2013). Graduada em Direito pela Faculdade Independente do Nordeste (2007). Graduada em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2005). Professora Adjunta (nível B) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia lecionando na graduação e pós graduação nos cursos de Direito, Administração, Contábeis e Biologia. Coordenadora do grupo de pesquisa: Território, Direito e Gênero, colaboradora do grupo de pesquisa: Epistemologias Feministas (VIVIA'S). Vice coordenadora do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCSA).

Citas

BRASIL. Senado Federal. Observatório da Mulher contra a Violência. Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025. Brasília, DF: DataSenado, 2025. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado. Acesso em: 30 jun. 2026.

CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2. ed. São Paulo: Global, 2012.

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Publicado

2026-11-04