O CONTRASTE SE EXPLÍCITO/SE NULO NO PB
Palavras-chave:
Construções reflexivas, Recíprocas, Médias e impessoais, Conceptualização de eventos, (Des)uso do SEResumo
O estudo analisa a presença explícita e a ausência do clítico se em construções reflexivas, recíprocas, médias e impessoais no Português Brasileiro (PB), buscando identificar os fatores linguístico-cognitivos que condicionam essas ocorrências e investigar suas possíveis distinções semântico-pragmáticas. Fundamentada na Linguística Centrada no Uso, a pesquisa articula os pressupostos da Gramática de Construções, de Adele Goldberg, os conceitos de transitividade de Hopper e Thompson, as categorias de força indutora de Maldonado e as operações de perspectivação conceitual e dinâmica de forças de Langacker. A investigação adota uma abordagem mista, qualitativa e quantitativa, com análise de dados orais provenientes de três corpora linguísticos baianos: o Português Popular de Vitória da Conquista (PPVC), o Português Culto de Vitória da Conquista (PCVC) e o Corpus Linguístico de Ibicoara (CLIBA). Os resultados evidenciam uma distribuição assimétrica e funcionalmente motivada do clítico. Nas construções reflexivas e recíprocas, predominam as formas explícitas, com frequências de 92,08% e 88,89%, respectivamente, enquanto nas construções impessoais o uso explícito corresponde a 62% dos casos. Em contrapartida, as construções médias apresentam distribuição mais equilibrada, com 52,66% de ocorrências explícitas e 47,34% de formas nulas. Esses padrões indicam que a presença do clítico está associada à maior visibilidade dos participantes e à relevância da dinâmica de forças na conceptualização dos eventos, enquanto sua ausência favorece a desfocalização agentiva e a centralidade do processo ou do estado resultante. Conclui-se que a alternância entre as construções com se explícito e se nulo não constitui mera variação formal, mas reflete distinções semântico-cognitivas e pragmático-discursivas relacionadas à transitividade e aos diferentes modos de conceptualização dos eventos na gramática do português falado.
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Referências
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