A EXPRESSÃO TERRITORIAL DO TRABALHO NA COMERCIALIZAÇÃO DA COMIDA DE RUA EM ILHÉUS E ITABUNA-BA
Palavras-chave:
Trabalho informal, Alimentação, RendaResumo
O estudo analisa a expressão territorial do trabalho na comida de rua nas cidades de Ilhéus e Itabuna, no Sul da Bahia, considerando sua relação com o desemprego estrutural, a informalidade e as estratégias de sobrevivência diante das transformações econômicas decorrentes da crise da monocultura cacaueira na década de 1990. Fundamentada nas contribuições de Mészáros e Marx, a pesquisa compreende o trabalho informal como parte das contradições do sistema capitalista e investiga as diferentes formas de organização e comercialização de alimentos no espaço urbano. De abordagem qualitativa, a investigação utilizou entrevistas semiestruturadas com trabalhadores e trabalhadoras, técnica de amostragem em bola de neve (snowball), registros fotográficos e diário de campo, apresentando resultados de tese de doutorado concluída em 2023. Os resultados evidenciam a diversidade de estruturas e práticas de trabalho, que incluem vendedores ambulantes, bicicletas e carrinhos adaptados, barracas, quiosques, trailers e food trucks. Identificam-se diferentes formas de organização laboral, desde o trabalho individual e familiar até relações de contratação e parceria, além da permanência de práticas tradicionais, como a comercialização de acarajé, mingau, beiju, castanhas e cocadas. Observa-se, ainda, que a atividade se distribui intensamente pelas áreas centrais e turísticas das cidades, embora seus trabalhadores estejam sujeitos à precariedade das condições laborais e a processos de desterritorialização decorrentes das requalificações urbanas. Conclui-se que o comércio de comida de rua constitui uma importante alternativa de trabalho e renda diante do desemprego estrutural, revelando as desigualdades socioespaciais e as estratégias cotidianas de sobrevivência da população trabalhadora.
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Referências
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