RELAÇÕES CRIANÇA-NATUREZA E PRODUÇÃO DO TRABALHO DOCENTE: O CRIA COMO PRÁTICA DE RESISTÊNCIA FRENTE À INVISIBILIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Autores

Palavras-chave:

Afetividade, Formação inicial de professores, Educação matemática, Gênero, Atitudes matemáticas

Resumo

A Educação Infantil constitui-se como espaço de produção de culturas, saberes e relações, porém ainda apresenta práticas marcadas pela transmissão de conteúdos e pela invisibilização das experiências infantis. Nesse contexto, as relações entre crianças e natureza também são atravessadas por processos de afastamento e redução das possibilidades de investigação e produção de sentidos. Este estudo, recorte de uma dissertação de mestrado em Educação e Formação Docente, tem como objetivo analisar as relações criança-natureza e as potencialidades dos Círculos de Culturas da Infância (CRIA) como prática de resistência frente à invisibilização das experiências das crianças e suas implicações para o trabalho docente. A pesquisa possui abordagem narrativa e interpretativa dialógica, tendo como corpus analítico 34 narrativas da obra Círculos de Culturas da Infância: Narrativas do Cotidiano da Educação Infantil (Silva; Almeida, 2024). As análises preliminares indicam que as experiências das crianças com o mundo físico e natural constituem processos de investigação, produção cultural e construção de conhecimentos, mobilizados pela curiosidade, pelo brincar, pelo diálogo e pelas interações. Entretanto, evidenciam-se tensões entre essas experiências e práticas pedagógicas institucionalizadas que podem limitar a escuta das crianças. Os achados apontam que o CRIA configura-se como possibilidade de resistência ao favorecer o registro, a interpretação e a ampliação das experiências infantis, reposicionando o professor como investigador de sua prática e contribuindo para a construção de currículos sensíveis às culturas da infância e às relações com a natureza.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fernanda de Deus Junqueira, Universidade do Estado da Bahia

Professora substituta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no curso de Ciências Biológicas, no Departamento de Ciências Humanas (DCH VI) e do Colégio Estadual do Campo de Mutãs (SEC/BAHIA-CECM). Mestra em Educação e Formação Docente pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Formação Docente (PPGEDuF) da UNEB, Campus XII. Pós-graduada em Ensino de Ciências pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas pela Faculeste e em Educação Ambiental pela Unifahe. Graduada em Ciências Biológicas pela UNEB, Campus VI e em Pedagogia pela Unifahe. Atualmente, desenvolve pesquisa acadêmica financiada pelo Itaú Viver Mais, voltada aos estudos sobre velhice no campo, com ênfase nas experiências e saberes de pessoas idosas em contextos do campo. É associada à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e à Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC). Integra o Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão Educacional Paulo Freire (NEPE UNEB/CNPq), o Observatório da Infância e Educação Infantil (ObEI) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Cultura das Infâncias (GEPCI CNPq). Atua em pesquisa, ensino e extensão no campo da Educação, com ênfase no Ensino de Ciências, currículo, Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos, Educação Ambiental e relações com a natureza. Desenvolve estudos sobre educação e envelhecimento, relações intergeracionais e saberes e modos de vida de pessoas idosas em contextos do campo.

Referências

BARBOSA, Maria Carmem Silveira. Pedagogia da infância. In: OLIVEIRA, Dalila Andrade; DUARTE, Adriana Maria Cancella; VIEIRA, Lívia Maria Fraga (Org.). Dicionário: trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. 1 CD-ROM.

BERTONCELI, Mariane. Trabalho docente na educação infantil: entre a precarização e valorização profissional. 2016. 174 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Francisco Beltrão, 2016.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

GONÇALVES, Patricia Martins. O discurso “Criança e Natureza”: uma análise crítica da construção da Educação Ambiental na Educação Infantil. 2021. 335 f. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.

LOUV, Richard. A última criança na natureza: resgatando nossas crianças do transtorno do déficit de natureza. Tradução de Rodrigo Peixoto. São Paulo: Aquariana, 2016.

SILVA, Elenice de Brito Teixeira e. ALMEIDA, Larissa Monique de Souza. [Orgs.] Círculos de Culturas da Infância: narrativas do cotidiano da Educação Infantil. São Carlos: Pedro & João Editores, 2024.

TIRIBA, Léa. Educação Infantil como direito e alegria: em busca de pedagogias ecológicas, populares e libertárias. 2. ed. São Paulo: Paz & Terra, 2021. 308 p.

Downloads

Publicado

2026-11-04